Casagrande e mais 13 deixarão o governo para se candidatar
Vitória News 21/01/2026 10:19
A renúncia do governador Renato Casagrande já não é mais hipótese. O próprio chefe do Executivo confirmou que deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado em 2026, antecipando o encerramento de um ciclo político que marcou o Espírito Santo por mais de uma década, entre idas e vindas ao Palácio Anchieta. Com a decisão, o vice-governador Ricardo Ferraço assumirá o comando do Estado e passará a disputar, desde o exercício do poder, a continuidade do grupo governista no Executivo estadual.
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A confirmação da saída de Casagrande funciona como gatilho para uma rearrumação mais ampla dentro do governo. Pelo menos 13 secretários já se preparam para deixar seus cargos a fim de disputar as eleições de 2026, transformando o primeiro escalão em uma espécie de antessala do processo eleitoral. O movimento não é apenas numeroso, mas simbólico: revela que a atual gestão entra, de forma assumida, em sua fase de transição política.Uma das mudanças mais sensíveis ocorre na Secretaria de Saúde. Tyago Hoffmann, deputado estadual licenciado, deixa uma pasta permanentemente pressionada por demandas estruturais, mas também uma vitrine de grande exposição pública. Sua atuação lhe garantiu visibilidade e discurso lastreado em gestão, fatores que o colocam como nome competitivo, embora ciente de que a saúde costuma cobrar o preço dos problemas que jamais se resolvem por completo.
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No centro nervoso da articulação política, Emanuela Pedroso se despede da Secretaria de Governo após exercer papel decisivo na relação com a Assembleia Legislativa, prefeitos e partidos aliados. Seu capital é essencialmente político, construído nos bastidores, na costura diária que garantiu estabilidade ao governo. Ao se lançar candidata, leva consigo profundo conhecimento do funcionamento interno do poder, mas terá de converter influência institucional em voto direto.No interior do Estado, Enio Bergoli deixa a Secretaria de Agricultura com uma base consolidada entre produtores rurais, cooperativas e gestores municipais. Sua atuação reforçou a presença do governo fora da Região Metropolitana e criou uma rede de apoios menos visível, porém sólida. Trata-se de um perfil que costuma crescer em silêncio e aparecer com força no resultado final das eleições proporcionais.Felipe Rigoni, à frente do Meio Ambiente, entra na disputa com um ativo raro: experiência recente no Congresso Nacional aliada ao domínio de uma pauta cada vez mais central. Sustentabilidade, desenvolvimento econômico e licenciamento ambiental compõem um discurso que dialoga com setores urbanos e empresariais. Ex-deputado federal, é visto como um dos nomes mais competitivos da base governista.
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A Secretaria de Educação, comandada por Vitor de Ângelo, revela outro tipo de transição. Técnico reconhecido, responsável por políticas estruturantes e avanços em indicadores educacionais, ele encara sua primeira eleição. Sua viabilidade passa pela capacidade de traduzir dados, programas e resultados em linguagem simples e emocionalmente eficazes para o eleitor.Na Ciência, Tecnologia e Inovação, Bruno Lamas retorna a um terreno que conhece bem. Ex-deputado estadual, soma à experiência parlamentar o bônus de ter comandado uma secretaria associada à economia do conhecimento e à inovação. Parte com base eleitoral previamente construída e vantagem clara em relação a estreantes.Victor Coelho, no Turismo, deixa a pasta após apostar na interiorização das políticas públicas e no fortalecimento de destinos regionais. Sua força política está nos municípios, especialmente fora da capital, onde a presença do Estado costuma se transformar em apoio eleitoral direto.Jacqueline Moraes, secretária de Políticas para Mulheres e ex-vice-governadora, tenta reposicionar sua trajetória em um cenário mais competitivo. O reconhecimento público permanece, mas a eleição exigirá atualização de discurso e ampliação temática para além da área institucional que comandou.
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À frente da Secretaria de Recuperação do Rio Doce, Guerino Balestrassi atua com perfil municipalista. Ex-prefeito, mantém vínculos históricos com lideranças locais e regiões diretamente impactadas pelas políticas de reparação ambiental, o que lhe garante base eleitoral consistente, ainda que pouco ruidosa.Completam o grupo José Carlos Nunes, no Esporte, que aposta na experiência política acumulada; Rafael Pacheco, na Justiça, que busca transformar perfil técnico e institucional em viabilidade eleitoral; Fabrício Noronha, na Cultura, desafiado a ampliar projeção política além do setor cultural; e Cyntia Grillo, no Trabalho e Assistência Social, que tenta converter a capilaridade das políticas sociais em voto.O efeito combinado da renúncia já anunciada de Casagrande e da saída desse conjunto de secretários empurra o governo para uma recomposição administrativa em pleno ambiente pré-eleitoral. O risco de perda de ritmo existe, assim como a dificuldade de manter coesão até o fim do mandato. Em contrapartida, a estratégia é clara: projetar o grupo político para o Legislativo e preservar influência institucional no pós-2026.Com Casagrande fora do Palácio Anchieta e Ricardo Ferraço no exercício do poder, a sucessão estadual deixa de ser um ensaio e se transforma em disputa real. A eleição ainda não começou no calendário oficial, mas, na prática, já governa decisões, acelera despedidas e redefine o futuro político do Espírito Santo.
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