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Política

Cármen Lúcia forma maioria pela condenação de Bolsonaro e aliados em ação da trama golpista

Vitória News 11/09/2025 16:15

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou, nesta quinta-feira (11), maioria de votos para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados na ação penal que investiga a chamada trama golpista.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A decisão foi consolidada com o voto da ministra Cármen Lúcia, que se somou aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, ambos já posicionados pela condenação em sessões anteriores. Com isso, o placar está em 3 a 1, restando apenas o voto do ministro Cristiano Zanin, presidente do colegiado.

O ministro Luiz Fux foi o único a divergir até o momento, votando pela absolvição de Bolsonaro e de cinco aliados, mas concordando com a condenação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e do general Braga Netto.

Penas ainda serão definidas

Embora a maioria já tenha sido formada, a dosimetria das penas — ou seja, o cálculo da duração da punição — só será anunciada ao final da votação dos cinco ministros. Em caso de condenação, as penas podem chegar a 30 anos de prisão em regime fechado.

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O voto de Cármen Lúcia

Durante seu voto, a ministra Cármen Lúcia afirmou que o julgamento da trama golpista remete às rupturas institucionais vividas pelo Brasil ao longo da história.

"O que há de inédito nesta ação penal é que nela pulsa o Brasil que me dói. A presente ação penal é quase um encontro do Brasil com seu passado, com seu presente e com seu futuro na área das políticas públicas dos órgãos de Estado", declarou.

Ela também reforçou que Bolsonaro e seus aliados não poderiam questionar a legitimidade da Lei 14.197/21, que tipificou crimes contra a democracia e serviu de base para a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A norma foi sancionada pelo próprio ex-presidente, junto com Anderson Torres, Braga Netto e Augusto Heleno, todos réus na ação.

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“Não é apenas legitima [a lei], como ainda não se pode dizer que se desconhecia que tentaram atentar contra a democracia. Quatro dos oito réus são exatamente os autores, os que têm a autoria do autógrafo", afirmou.

Conexão com o 8 de janeiro

Cármen Lúcia também destacou que os atos golpistas estavam inseridos em um conjunto de acontecimentos que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023.

"O 8 de janeiro de 2023 não foi um acontecimento banal, depois de um almoço de domingo, quando as pessoas saíram a passear", disse.

“Prova cabal” de participação

A ministra afirmou que há provas robustas contra Bolsonaro e os demais acusados.

"A procuradoria fez prova cabal de que o grupo liderado por Jair Messias Bolsonaro, composto por figuras chave do governo, das Forças Armadas e de órgãos de inteligência, desenvolveu e implementou um plano progressivo e sistemático de ataque às instituições democráticas com a finalidade de prejudicar a alternância legitima de poder nas eleições de 2022, minar o exercício dos demais poderes constituídos, especialmente o Poder Judiciário", destacou.

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Como votaram os ministros

Ministro Posição sobre os réus
Alexandre de Moraes Condenação de todos os réus por organização criminosa armada, golpe de Estado e outros crimes contra a democracia.
Flávio Dino Condenação de todos os réus pelos mesmos crimes apontados por Moraes.
Cármen Lúcia Condenação de todos os réus, afirmando haver “prova cabal” da participação em empreitada criminosa.
Luiz Fux Absolvição de Bolsonaro, Ramagem, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres e Almir Garnier. Condenação apenas de Mauro Cid e Braga Netto por abolição do Estado Democrático de Direito.
Cristiano Zanin Ainda não votou.
Fonte: ABr
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