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Política

Candidatos adaptam estratégias para debate na TV após novo cenário eleitoral em SP

FolhaPress 15/09/2024 03:55

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após quase duas semanas sem debates, os candidatos à Prefeitura de São Paulo voltam a se enfrentar na noite deste domingo (15), na TV Cultura.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Além do endurecimento de regras para evitar um ringue diante do clima bélico em encontros anteriores, candidatos também adaptaram estratégias em meio ao novo cenário eleitoral.

A última pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira (12), aponta a liderança de Ricardo Nunes (MDB), com 27%, e Guilherme Boulos (PSOL), com 25%. A tendência é que, desta vez, Nunes não parta para o ataque, mas tampouco deixe os adversários sem resposta.

Auxiliares avaliam que não cabe ao líder dar início aos bate-bocas --pelo contrário, deve demonstrar serenidade. Também há o entendimento, por outro lado, de que a disputa tem exigido maior contundência e que não há como escapar disso.

No último debate, realizado por TV Gazeta e MyNews, Nunes foi mais duro com os adversários do que nas primeiras rodadas, quando ainda não estava pressionado pelo crescimento de Pablo Marçal (PRTB).

Boulos usará o programa deste domingo para ampliar o confronto com Nunes e Marçal, já que considera que um deles deverá ser seu oponente no segundo turno. A linha é manter a associação dos dois com Jair Bolsonaro (PL), tachando-os como "duas faces da mesma moeda", e expor aspectos negativos de ambos.

O embate é ainda mais importante para Marçal, que não tem direito ao horário eleitoral em rádio e TV e que recuou para a terceira posição na última pesquisa Datafolha, com 19% das intenções de votos.

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Aliados do autodenominado ex-coach observam que ele tem tido uma postura mais comedida em entrevistas a podcasts, mas não arriscam dizer se esse será o tom do debate. Com a rejeição em alta, adversários do influenciador ponderam que um caminho agressivo pode reforçar essa tendência.

Marçal é o candidato mais rejeitado pelo eleitor --na última pesquisa Datafolha, marcou 44% nesse quesito, seis pontos a mais que uma semana antes.

A deputada Tabata Amaral (PSB), que apareceu com 8% de intenções de voto, associou a oscilação negativa de um ponto percentual à falta de debates nas últimas semanas e relembrou ter avançado nos períodos marcados por sabatinas e debates.

Tabata deve manter a postura de combate contra Marçal e Nunes. A campanha avalia que as regras do debate obrigaram que os candidatos mudassem o treinamento, uma vez que eles não poderão escolher a quem perguntar, pois será com base em um sorteio. Assim, a expectativa é que a agressividade seja mais controlada pela falta de previsibilidade estratégica.

Datena, que vive um momento delicado na campanha, confirmou sua presença no debate e com uma intenção própria de evitar conflitos --como ocorreu no evento da Gazeta, quando o tucano partiu para cima de Marçal. "Temos que dar exemplo", afirma o candidato.

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Quinto colocado nas pesquisas, o apresentador pretende utilizar seu tempo para insistir em suas propostas, sobretudo direcionada ao eleitorado de baixa renda.

Entre elas, a concessão da tarifa zero nos ônibus, de segunda a sábado, para famílias inscritas no Bolsa Família (hoje, são 715 mil famílias) e a entrega de remédios na casa dos pacientes atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) com a contratação de motoboys.

A ida ao debate é mais um aceno de Datena de que não deverá desistir do pleito, contrariando apelos de amigos como o senador Jorge Kajuru (PSB-GO). Apesar da dificuldade em angariar votos, lideranças nacionais do PSDB, como Aécio Neves e o atual presidente do partido, Marconi Perillo, estimulam Datena a continuar independentemente do resultado.

A candidata do partido Novo, Marina Helena, também está confirmada para o embate. A candidata aparece com 3% no mais recente Datafolha.

Uma das questões centrais nos pedidos que as campanhas adversárias de Marçal fizeram às emissoras foi o veto a plateia no estúdio, o que acontecerá tanto no debate deste domingo quanto no promovido pela RedeTV! e UOL na próxima terça-feira (17).

O programa da TV Cultura prevê sanções aos participantes como advertência e perda de tempo na resposta seguinte. Na terceira infração, o candidato e/ou seus assessores poderão ser expulsos.

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Além disso, o debate não terá plateia, e cada candidato terá direito a três assessores, sendo que apenas um pode ter acesso ao palco. Os postulantes estão proibidos de manusear o celular, usar acessórios como bonés e adesivos, exibir objetos e falar palavrões. Já os assessores não podem fazer filmagens. Os candidatos devem permanecer em seus lugares durante todo o debate.

As regras rígidas buscam evitar que se repitam episódios relacionados a Marçal, como a exibição de uma carteira de trabalho para Boulos, o uso de boné, as filmagens feitas por seus assessores e a manifestação efusiva da plateia a seu favor.

A avaliação das demais campanhas era que a atitude de Marçal nos debates, em que chegou a não fazer perguntas ou não responder, acabava transformando o encontro em um palco para que ele divulgasse sua versão por meio dos seus cortes nas redes sociais.

Para evitar que os candidatos não comparecessem, como fizeram Nunes, Boulos e Datena no terceiro debate, as emissoras endureceram regras para enquadrar Marçal. Isso não impediu, no entanto, que Datena saísse do seu lugar no debate mais recente com objetivo de enfrentar o influenciador, o que era proibido.

Debate na TV Cultura

Quando: Domingo, 15 de setembro, às 22h

Acompanhe: site da Folha, TV Cultura ou pelo canal do YouTube da emissora

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