Dos 513 deputados eleitos, 183 exercerão o primeiro mandato; mulheres ampliam presença para 108 cadeiras, enquanto representação de pretos, pardos e indígenas recua
A Câmara dos Deputados terá renovação de 35,67% a partir de 2027. Dos 513 parlamentares eleitos neste domingo (4), 183 exercerão o primeiro mandato na Casa.
Outros 301 deputados foram reeleitos, enquanto 29 ex-parlamentares que já haviam ocupado cadeiras em legislaturas anteriores retornarão à Câmara.
A nova composição fará parte da 58ª legislatura, que começa em 1º de fevereiro de 2027 e segue até 31 de janeiro de 2031.
O índice de renovação ficou abaixo do registrado em 2022, quando 39,3% da Câmara foi formada por novos deputados, mas permanece dentro da média recente de substituição de parlamentares.
Bancada feminina bate recorde
A próxima legislatura terá 108 mulheres, o maior número já registrado na Câmara dos Deputados.
Na eleição de 2022, haviam sido eleitas 91 deputadas. O crescimento foi de 18,68%, com 17 mulheres a mais.
A advogada e professora de Direito Constitucional Damares Medina avaliou que o avanço da presença feminina tem importância independentemente das diferenças ideológicas entre as eleitas.
“Porque não importa, cada uma a seu modo e à sua forma, traz a mensagem de que lugar de mulher é onde ela quiser. Não vou submeter uma representante popular eleita a um escrutínio hermenêutico que o homem não é submetido”, afirmou.
Representação de pretos e pardos recua
Os candidatos autodeclarados pretos e pardos conquistaram 135 cadeiras, equivalentes a 26,3% da Câmara.
Em 2022, haviam sido eleitos 139 parlamentares pretos e pardos. A redução foi de 2,9%.
Ao todo, a Justiça Eleitoral registrou 10.206 candidaturas de pessoas negras para todos os cargos disputados em 2026, correspondentes a 49,64% do total.
Bancada indígena também diminui
Três candidatos autodeclarados indígenas foram eleitos para a Câmara.
Paulo Guedes, do PT de Minas Gerais, foi reeleito com 126.891 votos. Juliana Cardoso, do PT de São Paulo, recebeu 111.904 votos e também garantiu novo mandato. Sônia Guajajara, do PSOL de São Paulo, foi reeleita com 54.207 votos.
Com três representantes, a bancada indígena corresponderá a aproximadamente 0,58% das 513 cadeiras.
Na eleição de 2022, cinco indígenas haviam conquistado mandatos para a Câmara. Em 2026, foram registradas 73 candidaturas indígenas a deputado federal.
PL terá a maior bancada
O Partido Liberal elegeu a maior bancada da Câmara para a próxima legislatura, com 121 deputados.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, terá 88 parlamentares. A Federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, contará com 87.
Na sequência aparecem PSD, com 43 deputados; Republicanos, com 41; MDB, com 36; Podemos, com 27; PSB, com 15; Federação PSOL/Rede, também com 15; Federação PSDB/Cidadania, com 11; e Novo, com 10.
PRD e Solidariedade terão sete deputados; PDT, seis; Avante, cinco; e Missão, um.
Damares Medina destacou que o tamanho das bancadas influencia diretamente a distribuição de espaços e decisões dentro do Congresso.
“É importante porque cada cadeira é poder. Cada uma delas significa influência, o jogo e vetores do que vai definir como a autoridade no Congresso Nacional é distribuída”, afirmou.
Mais votados
A eleição também registrou marcas expressivas de votação.
Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, foi reeleito com mais de 3,11 milhões de votos e tornou-se o deputado federal mais votado da história do país.
Lucas Pavanato, do PL, recebeu 3.038.438 votos e ficou em segundo lugar entre os mais votados para a Câmara.
Entre as mulheres, Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, foi a mais votada, com 1.596.472 votos.