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Economia

Calor pode pressionar a inflação dos alimentos, corte no Plano Safra e o que importa no mercado

FolhaPress 21/02/2025 09:46

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Explico como o calorão pode pressionar a inflação dos alimentos, corte no Plano Safra, Natura quer se livrar da Avon fora da América Latina e outros destaques do mercado nesta sexta-feira (21).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

**PLANTINHAS MURCHAS**

O calor extremo que atinge o Brasil é como um picolé de limão: a aparência indica doce, mas o gosto é azedo. Além de exigir muito do nosso corpo, ele pode pressionar (mais) a inflação.

Itens que são sensíveis à variação climática, como produtos de hortifruti, sofrem com temperaturas extremas. Consequentemente, a inflação sobre eles responde de forma mais rápida à redução na oferta.

COMO ASSIM?

“Em locais onde a onda de calor está mais intensa, pelo menos entre o Sul e o Sudeste, pode ser que tenha algum aumento de preços de alimentos in natura”, afirma André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

É normal que os valores de frutas, verduras e legumes aumentem nessa época do ano, mas a inflação pode ser um pouco maior em 2025, devido à intensidade do calor.

O impacto não deve ser duradouro. Uma onda no início do ano, em teoria, não é capaz de elevar os preços pelo resto dele.

Tudo vai depender de quanto tempo o sol vai ficar por aqui. Quanto mais tempo, mais sentirá o bolso do consumidor.

A safra maior de grãos prevista para este ano pode dar alguma folga aos preços, segundo analistas.

O volume previsto para 2025 é 11,1% maior do que o registrado em 2024, para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

IN VOGA

Outro produto que pode ser afetado pelo clima é o ovo –que aparece nas notícias com frequência nos últimos meses.

As coitadas das galinhas, assim como nós, passam muito calor, o que diminui a produtividade delas.

Menor produtividade pode reduzir a oferta, o que aumenta o preço dos ovos –que já estavam mais altos do que o padrão, por sinal.

O fenômeno, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), é sazonal, já que pessoas trocam a carne vermelha por outras formas de proteína na quaresma.

A gente detalhou melhor isso na edição de segunda-feira da newsletter, que você pode ler aqui.

SESC PICASSO

Os mais prejudicados são aqueles que estão na fatia mais pobre da população. Proporcionalmente, eles destinam uma parte maior da sua renda à alimentação básica.

**CORTE SURPRESA NO PLANO SAFRA**

O Tesouro Nacional suspende, a partir de hoje, a concessão de novos financiamentos com subvenção federal nas linhas de crédito do Plano Safra.

A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (20). A justificativa dada pelo governo é a alta da taxa de juros, que encarece o crédito.

Com a aprovação da LOA (Lei Orçamentária Anual), haverá a liberação de mais dinheiro para os financiamentos, que devem ser retomados.

A LOA devia ter sido debatida no Legislativo em dezembro, mas a expectativa é que ela só entre em vigor depois do Carnaval.

O PLANO

O Safra oferece linhas de crédito para produtores rurais. O dinheiro ajuda com os primeiros processos, que serão pagos quando a produção for vendida.

Ele é estipulado sobre o ano safra, que mais ou menos acompanha o ciclo das culturas. Normalmente, começa em julho e termina no próximo mês de junho.

Antes do novo ciclo, o governo anuncia quanto do seu orçamento será destinado ao fomento do programa.

O governo paga uma parte do financiamento oferecido por instituições credenciadas, o que deixa crédito mais barato. Existem alguns programas diferentes, baseados no patamar de renda dos produtores. São eles:

- Pronaf: para a agricultura familiar;

- Pronamp: para médios produtores;

- Renovagro: para o financiar a conversão para uma agricultura mais sustentável.

SEMPRE ELA

A Selic em 13,25% ao ano (e subindo) deixou a concessão de crédito mais cara. Por isso, manter as subvenções ficou mais difícil.

CONTADOR - BONUS

Os custos de empréstimo dos bancos ficam mais altos, o que acaba aumentando a diferença que o dinheiro público tem que cobrir para possibilitar as linhas.

Não ajuda o fato de o plano ter sido desenhado ainda quando as taxas de juros estavam em queda em 2024 –as expectativas para o agora eram bem diferentes.

EXCEÇÃO

O Pronaf, que disponibiliza crédito para agricultores familiares, foi o único que escapou da suspensão. O público atingido por ele é o mais vulnerável à flutuação dos preços.

**DEIXANDO O MUNDO PARA TRÁS**

A Natura&Co divulgou que está discutindo a venda das operações da Avon fora da América Latina com a gestora IG4.

A possibilidade não é nova. Em dezembro de 2024, a holding já havia levantado a ideia. Naquele momento, a Avon Products passava por uma recuperação judicial nos Estados Unidos, onde foi aprovado um acordo global de compra e venda de ativos.

A compra da holding foi anunciada em 2019 e foi concluída no começo de 2020.

Os problemas da Avon ganharam forma em agosto de 2024, quando pediram a reestruturação na corte americana. As dívidas estimadas, na época, eram de US$ 1 bilhão (R$ 5,71 bilhões) –o mercado especulava que os débitos poderiam ser ainda maiores.

A Natura se comprometeu a dar um financiamento de US$ 43 milhões (R$ 245,5 milhões) e a oferecer US$ 125 milhões (R$ 713,7) para adquirir as operações da marca americana fora dos EUA.

Na época, a brasileira disse “continuar acreditando no potencial da marca” e que as ações da Avon fora do território americano não foram incluídas no processo. Por isso, nenhum impacto era esperado fora dali.

Mas a própria Natura não estava na situação mais confortável. O balanço do segundo trimestre de 2024 apontou um prejuízo líquido de R$ 859 milhões, aumento de 17,4% do que já havia sido registrado no mesmo período do ano anterior.

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↳ A holding brasileira citou a reestruturação da Avon como o principal motivo para o resultado desagradavável. Não fosse isso, teria um lucro de R$ 162 milhões, segundo ela.

E agora? A Natura&Co está se reestruturando desde que sua estratégia de expansão e internacionalização não deu tão certo assim. A ideia agora é concentrar as operações mais perto de casa.

Em 2023, vendeu a britânica The Body Shop para uma gestora alemã por um quinto do valor que pagou pela compra seis anos antes;

No mesmo ano, vendeu a Aesop para a L’Oréal por US$ 2,8 bilhões (R$ 16 bilhões).

**PARA LER**

Mais do que nunca, as grandes empresas de tecnologia estão no poder –não só do seu tempo, dos seus gostos e das suas relações, mas também no âmbito oficial. A foto dos CEOs enfileirados na posse de Donald Trump da presidência americana não mente.

É difícil fazer sentido da realidade sem uma ajudinha, e estamos aqui para isso. Na indicação da semana, um livro-reportagem que conta como as big techs passaram de novidades promissoras a grandes problemas.

Em “A Máquina do Caos”, o jornalista Max Fisher reúne o que investigou enquanto trabalhava para The New York Times e The Atlantic e delineia o processo que transformou pequenos projetos amadores no que hoje chamamos de big techs.

Ainda, discute por que a extrema direita é beneficiária natural dos algoritmos e como elas poderiam ser reguladas pela lei.

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

Você piscou e o Milei se livrou da investigação judicial do criptogate.

Passo maior que a perna? Lula promete “maior política de crédito já feita” para atacadistas, em mais um esforço para segurar o preço dos alimentos.

Emergência em Nova York. Ações do Nubank afundam na NYSE depois de a empresa divulgar um balanço decepcionante para investidores.

O povo clama pelo home office. Campanha contra o presencial na Petrobras ganha música de protesto e memes mil.

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