Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h37m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Cade aprova sem restrições a venda da Amil para fundador da Qualicorp

FolhaPress 17/01/2024 12:43

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou sem restrições a compra da operadora de planos de saúde Amil pelo empresário José Seripieri Filho, segundo despacho publicado nesta quarta-feira (17) no Diário Oficial da União.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A norte-americana UnitedHealth anunciou no final de dezembro que aprovou um acordo para vender a Amil ao fundador e ex-presidente da Qualicorp por cerca de US$ 7 bilhões (R$ 34,59 bilhões), em uma operação que incluiu dívida da empresa brasileira.

O presidente-executivo da UnitedHealth, Andrew Witty, anunciou a decisão de vender a Amil, adquirida em 2012 por US$ 5 bilhões, logo após assumir o comando em 2021.

A transação tornou-se o maior negócio de fusão e aquisição já feito entre uma companhia e uma única pessoa física no Brasil. Seripieri financiou R$ 2 bilhões junto aos bancos Santander, Bradesco, BR Partners e BTG Pactual.

Seripieri saiu da Qualicorp em 2019, abriu a QSaúde em 2020 para vender planos individuais, mas havia deixado o setor novamente em meados deste ano.

Ele vendeu a carteira de beneficiários da QSaúde para o plano de saúde Alice neste ano. À época, o empresário manifestou ao jornal Folha de S.Paulo que não tinha o mesmo desejo de voltar para o ramo.

SESC PICASSO

"A depender da oportunidade, pode até ser, mas hoje me dá mais medo do que vontade de empreender nessa área", afirmou, em entrevista em junho. Ele argumentou ver distorções nos reajustes e falta de interesse por parte das grandes operadoras no mercado de planos individuais.

No dia em que foi anunciada a negociação, Seripieri afirmou que a meta é melhorar a qualidade do plano de saúde, "Vamos mudar pra melhor a saúde suplementar no Brasil", disse ao Painel S.A., da Folha de S.Paulo "Em qualidade e, principalmente, na acessibilidade [aos planos]."

Ele também agradeceu ao banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, contratado para buscar um comprador para a Amil, e também ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "E um especial agradecimento ao presidente Lula, meu eterno inspirador", afirmou.

VENDA DE PARTE DA EMPRESA FOI BARRADA EM 2022

CONTADOR - BONUS

A venda da Amil era um dos negócios mais aguardados no setor de planos de saúde. A empresa é uma das maiores operadoras do país: tem 5,4 milhões de beneficiários, 383 mil empresas clientes, 19 hospitais, 52 unidades laboratoriais, nove clínicas odontológicas e cerca de 21 mil funcionários.

Sua rede credenciada abrange 1.600 hospitais e 6.200 laboratórios e centros diagnósticos. Controlada pela americana UnitedHealth, a Amil contratou o banco BTG Pactual no fim de 2021 para comprar a sua carteira deficitária de planos de saúde individuais e familiares.

A carteira é deficitária porque o reajuste desses planos não segue a inflação e é regulado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Em 2021, por exemplo, a agência indicou um reajuste negativo de 8,2%, ou seja, os planos individuais tiveram que diminuir os preços. Já em 2022, o aumento foi de 15,50%, muito criticado pelos usuários. No ano passado, a alta ficou em 9,63% e vai vigorar até abril de 2024.

Anuncio - Raimundo - Bonus

O BTG chegou à Fiord Capital, um fundo de investimento criado em novembro de 2021. O fundo receberia R$ 3 bilhões para assumir a carteira dos então 330 mil usuários dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

Pela operação desenhada para a mudança de controle, a APS, do grupo Amil, passaria a ficar responsável pelos planos de saúde individuais e familiares, negócio que foi aprovado pela ANS.

Mas, no início de 2022, a APS passou para o comando da Fiord –movimento barrado pela ANS. A agência regulatória alegou ausência de informações sobre a mudança de controle societário.

Na época, reportagem da Folha de S.Paulo apontou casos de clientes aflitos com a iminente mudança de mãos dos planos individuais e familiares da Amil. Segundo relatos, a rede credenciada da companhia havia encolhido nos meses anteriores, sem aviso prévio, o que é contra a lei.

O plano de saúde deve avisar o consumidor com 30 dias de antecedência sobre o descredenciamento de determinado hospital ou laboratório –e precisa apresentar uma alternativa do mesmo nível ao cliente, na mesma região.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas