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Cabotagem pode cortar até 8,2% do CO₂

Estudo aponta potencial de expansão do transporte marítimo e redução de emissões no setor de cargas no Brasi

Vitória News 27/04/2026 10:00
Cabotagem pode cortar até 8,2% do CO₂
Foto: MPor/Divulgação

O transporte de cargas por cabotagem — realizado entre portos brasileiros — pode reduzir em até 8,2% as emissões líquidas de dióxido de carbono (CO₂) de todo o setor logístico no país. A estimativa consta em estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) .

Apesar do potencial, a participação da cabotagem ainda é limitada, representando cerca de 9,2% da matriz de transporte de cargas. O levantamento indica que esse volume pode ser quadruplicado no longo prazo, com ganhos ambientais e operacionais relevantes.

Menor impacto ambiental e mais eficiência

O setor de transportes responde por 13,5% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, sendo que o modal rodoviário concentra 92% desse total. A dependência de caminhões, que respondem por 66,2% da matriz logística, explica parte desse cenário .

A cabotagem surge como alternativa menos poluente. Segundo o estudo, o transporte marítimo emite entre 12% e 15% do CO₂ gerado pelo transporte rodoviário para o mesmo volume de carga.

Além da redução de emissões, o modelo também diminui riscos operacionais, como acidentes, roubos de carga e congestionamentos nas rodovias.

Vantagem depende da distância

A eficiência dos modais varia conforme a distância percorrida. Para trajetos curtos, de até 500 quilômetros, o transporte rodoviário ainda é mais competitivo. Entre 500 km e 1.500 km, o ferroviário tende a ser mais eficiente. Já em distâncias superiores a 1.500 km, a cabotagem se torna a melhor alternativa.

Na comparação direta com caminhões, o transporte marítimo passa a ter vantagem a partir de cerca de 850 km a 1.050 km.

Entraves ainda limitam crescimento

Mesmo com vantagens, a expansão da cabotagem enfrenta obstáculos. Entre os principais desafios estão a burocracia, a exigência documental semelhante à de operações internacionais, além de limitações estruturais nos portos.

O estudo aponta necessidade de investimentos em infraestrutura, como melhoria de acessos, ampliação de terminais e dragagem para permitir a entrada de embarcações maiores.

Também são citadas a baixa oferta de linhas regulares e a necessidade de mudança na cultura logística das empresas.

Marco legal ampliou o setor

A CNI avalia que o Marco Legal da Cabotagem (Lei 14.301/2022) trouxe avanços ao estimular o setor. Após a regulamentação, houve entrada de novas empresas e ampliação da frota, aumentando a oferta de serviços no país .

No entanto, o estudo alerta que regras excessivamente rígidas para classificação de embarcações sustentáveis podem dificultar a expansão do modal.

A análise aponta que uma melhor distribuição de cargas entre os diferentes modais, respeitando as características de cada um, pode reduzir custos logísticos e melhorar a eficiência do sistema de transporte no Brasil.

Fonte: BR61

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