Pesquisa revela que 43% evitam comprar itens reciclados, mesmo com apoio crescente às práticas sustentáveis e à economia circular
Apesar do avanço das discussões sobre sustentabilidade no Brasil, uma parcela significativa dos consumidores ainda demonstra resistência aos produtos reciclados. Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 43% dos brasileiros evitam comprar itens produzidos a partir de materiais reciclados, independentemente do preço.
O levantamento revela uma contradição entre discurso e prática. Enquanto 72% dos entrevistados afirmam ter uma visão positiva de empresas que investem em sustentabilidade, muitos ainda preferem produtos convencionais quando chega o momento da compra.
Entre os principais motivos apontados para essa resistência, 34% dizem optar por produtos novos, enquanto 30% afirmam ter dúvidas sobre a qualidade e a durabilidade dos itens reciclados.
Segundo a CNI, o desafio está em transformar a percepção favorável à sustentabilidade em decisões efetivas de consumo. Para isso, fatores como competitividade de preços, garantia de qualidade e informações claras sobre os benefícios dos produtos reciclados são considerados fundamentais.
A pesquisa também evidencia um obstáculo importante: a falta de conhecimento sobre a economia circular, modelo que busca reduzir desperdícios por meio da reutilização, reciclagem e reaproveitamento de materiais. Apenas 13% dos entrevistados afirmam conhecer profundamente o conceito.
A desinformação aparece ainda no descarte de resíduos. Mais da metade dos participantes do estudo, 53%, admite não realizar o descarte adequado de produtos por não saber exatamente como proceder. Além disso, 60% acreditam que a principal responsabilidade pela prevenção da contaminação ambiental causada por produtos cabe às prefeituras, enquanto apenas 14% atribuem esse papel à indústria e 12% ao governo federal.
Mesmo diante dessas dificuldades, algumas práticas associadas à economia circular já fazem parte do cotidiano dos brasileiros. O levantamento mostra que 58% costumam consertar produtos antes de substituí-los. No entanto, a principal motivação para essa atitude ainda é econômica: metade dos entrevistados afirmou que realiza reparos para economizar dinheiro, enquanto apenas 10% citaram a preocupação ambiental como razão principal.
Para representantes do setor industrial, o fortalecimento da economia circular também depende de avanços regulatórios. Entre as propostas defendidas está o Projeto de Lei 1.874/2022, que cria a Política Nacional de Economia Circular. A iniciativa prevê mecanismos de incentivo à inovação, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e compras públicas sustentáveis, além de ações voltadas à educação para o consumo consciente.
Atualmente, o projeto aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal.
O estudo sugere que a sustentabilidade já conquistou espaço no discurso dos consumidores brasileiros, mas ainda enfrenta desafios para se transformar em hábito de compra. A confiança nos produtos reciclados e o acesso a informações mais claras aparecem como fatores decisivos para reduzir essa distância entre intenção e comportamento.
Fonte: Br61/CNI