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Brasil reforça parceria com Índia e mira comércio de US$ 20 bilhões até 2030

Acordo aproxima empresas dos dois países e amplia estratégia de diversificação de mercados, enquanto governo retoma negociação com os Estados Unidos sobre tarifas

Vitória News 28/08/2026 07:50
Brasil reforça parceria com Índia e mira comércio de US$ 20 bilhões até 2030
Imagem criada por IA/VN

O Brasil ampliou nesta quinta-feira (27) a estratégia de diversificação de parceiros comerciais ao firmar um memorando de entendimento voltado à aproximação de empresas brasileiras e indianas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O acordo foi assinado entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas e prevê cooperação para ampliar negócios, investimentos e intercâmbio de informações entre os dois mercados.

A iniciativa ocorre em um momento no qual o governo brasileiro tenta reduzir a exposição das exportações nacionais às sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e, paralelamente, prepara a retomada das negociações comerciais com Washington.

O entendimento com a Índia estabelece mecanismos para compartilhamento de informações sobre oportunidades de mercado, promoção de feiras e eventos empresariais, troca de boas práticas e apoio à internacionalização de pequenas e médias empresas.

O documento não é vinculante e, portanto, não cria obrigações jurídicas entre as partes, mas pretende estabelecer uma base institucional para novos projetos e investimentos.

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Uma das metas é elevar o comércio bilateral entre Brasil e Índia para US$ 20 bilhões até 2030.

Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países alcançou aproximadamente US$ 15,2 bilhões. As exportações brasileiras para o mercado indiano somaram US$ 6,9 bilhões, enquanto as importações de produtos da Índia chegaram a US$ 8,4 bilhões.

Atualmente, a Índia aparece como o décimo principal destino das exportações brasileiras. O Brasil, por sua vez, ocupa a 26ª posição entre os fornecedores do mercado indiano.

Segundo dados apresentados pelo governo, a relação comercial entre os dois países cresceu 82% nos últimos anos.

A ApexBrasil identificou 378 oportunidades para produtos brasileiros na Índia e mantém cerca de dez projetos estratégicos direcionados ao país, inclusive iniciativas envolvendo o agronegócio.

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Outro movimento em discussão é a ampliação do acordo de preferências tarifárias entre Mercosul e Índia, que atualmente alcança cerca de 450 linhas de produtos.

Entre os setores considerados prioritários na aproximação estão indústria farmacêutica, fertilizantes, bioenergia, biocombustíveis, equipamentos médicos e minerais críticos.

Na área mineral, o governo brasileiro sinaliza interesse em atrair parceiros estrangeiros, mas defende que a exploração de recursos considerados estratégicos esteja associada à agregação de valor, desenvolvimento tecnológico e participação da indústria instalada no país.

A aproximação com a Índia também pode abrir novas oportunidades para empresas do agronegócio brasileiro interessadas em reduzir a concentração das vendas externas em poucos mercados.

Ao mesmo tempo, o governo se prepara para uma nova rodada de negociação com os Estados Unidos.

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Na próxima segunda-feira (31), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, terá reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O chanceler Mauro Vieira também deve participar.

O encontro ocorre após a reabertura do diálogo entre os dois governos e deverá tratar das sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros.

Entre os temas que podem entrar nas conversas estão eventuais listas de exceções tarifárias e os instrumentos disponíveis ao Brasil caso não haja acordo, incluindo mecanismos previstos na legislação de reciprocidade comercial.

O governo afirma que pretende combinar a negociação com Washington à abertura de novos mercados e a medidas de apoio às empresas brasileiras atingidas pelas barreiras comerciais.

Nesse cenário, a Índia ganha importância como um dos mercados considerados estratégicos para ampliar exportações brasileiras, atrair investimentos e reduzir a dependência de destinos tradicionais.

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