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Brasil pode ter dificuldade para conseguir extradição de Ramagem, avaliam especialistas

FolhaPress 26/11/2025 13:12

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo brasileiro pode ter dificuldade de obter a extradição do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) para que ele cumpra pena por ter participado da trama golpista de 2022.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam obstáculos que podem vir de aspectos jurídicos, em razão do tratado de extradição entre Brasil e Estados Unidos, e de questões políticas.

Ramagem foi condenado a 16 anos e um mês de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito.

Após decisão da Câmara, ficou suspensa parte da ação penal, que avaliava os crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, referentes a fatos ocorridos após a diplomação do parlamentar.

Nesta terça-feira (25), o relator do processo no STF, Alexandre de Moraes, determinou o início do cumprimento da pena do deputado, que está nos Estados Unidos desde setembro.

O ministro apontou que o deputado é considerado foragido e determinou a expedição do mandado de prisão e inserção no BNMP (Banco Nacional do Monitoramento de Prisões). Determinou ainda perda de mandato parlamentar e do cargo de delegado da Polícia Federal, inelegibilidade e suspensão dos direitos políticos.

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No sábado (22), Ramagem disse que não ficaria no Brasil porque seria preso "sem ter cometido crime algum e sofrendo diante de uma ditadura".

Um dia antes, Moraes havia decretado a prisão preventiva do deputado para evitar risco à aplicação da lei penal.

Para Diego Nunes, professor de direito da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), não há, por ora, possibilidade jurídica para a extradição de Ramagem, porque os crimes pelos quais ele foi condenado não estão previstos no tratado entre Brasil e Estados Unidos.

Ele afirma que o único delito que poderia se aproximar daqueles presentes no tratado é o crime de dano, suspenso no caso de Ramagem. Ainda assim, ressalta, há diferenças, pois o tratado, diferentemente do Código Penal, prevê que o dano tenha como objetivo causar perigo a outras pessoas e "se aproxima de tipos penais brasileiros sobre sabotagem ou dispositivos sobre terrorismo".

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Com isso, conclui, não existiria possibilidade de Ramagem ser extraditado pelos crimes da trama golpista. O que pode acontecer, diz, é eventual deportação caso ele não tenha visto ou outra permissão para ficar no país, como aconteceu com outros condenados pelo 8 de Janeiro.

Segundo Raphael Rocha, professor de direito da Universidade Federal de Juiz de Fora, o aspecto político também pode dificultar a extradição.

"O governo Trump tem mantido uma postura dúbia em relação a esses assuntos. Ele está voltando atrás de algumas decisões que vinha tomando, em matéria tarifária, mas mantém algumas sanções de cunho político, como a Lei Magnitsky, que continua em vigor contra, por exemplo, Alexandre de Moraes. Não existe uma posição clara sobre a visão política do governo norte-americano sobre esse assunto", diz.

Segundo Rocha, depois de comunicada a condenação pelo Judiciário, o Ministério da Justiça e Segurança Pública formula um pedido de extradição. A documentação é remetida a um órgão da Secretaria Nacional de Justiça, responsável por intermediar o procedimento junto ao Ministério das Relações Exteriores. Este, por sua vez, estabelece o contato diplomático com a autoridade estrangeira responsável.

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Para ele, o mais plausível é que a jurisdição brasileira adote mecanismos alternativos de coerção, como a decretação da perda de mandato eletivo, já objeto da decisão de Moraes, ou a imposição de sanções financeiras, para pressionar pelo retorno voluntário de Ramagem.

O professor lembra ainda que o parlamentar pode argumentar que sua condenação deriva de crime de caráter político, uma vez que há restrições internacionais à entrega de indivíduos por delitos dessa natureza.

Evandro Carvalho, professor de direito internacional da Fundação Getúlio Vargas e da UFF (Universidade Federal Fluminense), lembra que um pedido de extradição não é automático. O governo dos EUA avaliará, diz, se os fatos que fundamentam a decisão também constituem crime no país e se a Justiça brasileira observou o devido processo legal.

Para ele, não é possível afirmar que a extradição ocorrerá "facilmente", pois cada pedido passa por análise judicial e administrativa nos EUA. "Mas também não se pode dizer que seja improvável: o tratado existe, os crimes são graves e há precedentes de cooperação entre os dois países", diz.

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