Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 12h54m
Vitória News — Um jornal de verdade
Sustentabilidade

Brasil perde mais de 400 mil hectares de superfície de água em 2024 e acende alerta para crise hídrica

Vitória News 22/03/2025 07:28

O Brasil perdeu, somente em 2024, uma área equivalente a mais do que o dobro da cidade de São Paulo em superfície de água. Foram 400 mil hectares a menos em relação ao ano anterior, conforme aponta a nova atualização da série histórica do MapBiomas Água, divulgada nesta sexta-feira (21). Esse número alarmante revela que o país encerrou o ano com 17,9 milhões de hectares cobertos por água — uma redução de 2% frente aos 18,3 milhões de hectares registrados em 2023. A retração ocorre em meio a uma década marcada por eventos climáticos extremos e transformações no uso da terra. De acordo com os dados do MapBiomas, nos últimos 10 anos, oito foram considerados os mais secos desde o início da série histórica, em 1985. A única exceção foi 2022, quando houve uma breve recuperação da superfície de água, alcançando 18,8 milhões de hectares. Segundo especialistas, a combinação entre mudanças climáticas e ações humanas está tornando o país cada vez mais seco, e esses dados servem como um alerta sobre a necessidade de estratégias adaptativas de gestão hídrica e políticas públicas que revertam essa tendência. Amazônia é a região com maior perda O bioma amazônico segue sendo o principal detentor de superfície de água no Brasil, com 10,9 milhões de hectares em 2024 — cerca de 61% do total nacional. No entanto, os números mostram que a Amazônia tem sofrido fortemente com a escassez hídrica. Em relação a 2022, o bioma perdeu 4,5 milhões de hectares em apenas dois anos. Comparado a 2023, a redução foi de 1,1 milhão de hectares. No ano passado, 63% das 47 sub-bacias hidrográficas da região apresentaram perda de superfície de água, incluindo o Rio Negro, que já perdeu mais de 50 mil hectares em relação à média histórica. Foram dois anos consecutivos de secas extremas na Amazônia, sendo que, em 2024, a seca chegou mais cedo e afetou bacias que não foram fortemente atingidas em 2023, como a do Tapajós. Pantanal registra a maior perda proporcional desde 1985 Outro bioma que preocupa é o Pantanal. Em 2024, foram registrados apenas 366 mil hectares de superfície de água, o que representa 2% do total nacional. O número equivale a uma queda de 4,1% em relação ao ano anterior e consolida o Pantanal como o bioma mais impactado desde 1985, com uma perda acumulada de 61%. Desde a última cheia em 2018, o bioma tem enfrentado o aumento de períodos de seca e, em 2024, a seca extrema aumentou a incidência e propagação de incêndios. Veja o total de superfície de água por bioma em 2024

Bioma Superfície de água (2024) Participação nacional
Amazônia 10,9 milhões ha 61%
Mata Atlântica 2,2 milhões ha 13%
Pampa 1,8 milhão ha 10%
Cerrado 1,6 milhão ha 9%
Caatinga 981 mil ha 5%
Pantanal 366 mil ha 2%
SESC PICASSO
Pampa tem leve recuperação após cheia extrema

O bioma Pampa registrou uma leve recuperação em 2024, com um ganho de aproximadamente 100 mil hectares de superfície de água, embora ainda esteja 0,3% abaixo da média histórica. O Pampa teve um início de ano com estiagens, sendo o mês de março o mais seco. Já em maio, ocorreu uma cheia extrema, atingindo a maior superfície mensal dos 40 anos da série histórica. Caatinga atinge maior cobertura de água da última década Destaque positivo foi a Caatinga, que encerrou o ano com seis mil hectares a mais do que em 2023, atingindo a maior superfície de água dos últimos 10 anos. Desde 2018, o bioma apresenta um ciclo de cheias. Apesar desse cenário favorável, persistem áreas com secas recorrentes, especialmente ao longo da bacia do São Francisco e na região do Seridó Nordestino — territórios particularmente vulneráveis à desertificação. Cerrado perde rios e ganha represas O Cerrado chama atenção por um fenômeno de substituição de corpos hídricos naturais por superfícies artificiais. Em 1985, 62% da água do bioma vinha de fontes naturais; em 2024, esse número caiu para 40%. Por outro lado, as áreas cobertas por represas e reservatórios subiram de 37% para 60%. Apesar da substituição, a superfície total de água do bioma permaneceu estável no último ano. Superfície artificial cresce no Brasil Levantamento do MapBiomas Água mostra que a superfície de água artificial no Brasil cresceu significativamente desde 1985, com um acréscimo de 1,5 milhão de hectares. Os biomas com maior concentração de reservatórios e represas são:

Anuncio - Raimundo - Bonus
  • Mata Atlântica: 33%
  • Cerrado: 24%

Corpos de água naturais ainda respondem por 77% da superfície hídrica do país, mas já registram uma perda de 15% nas últimas quatro décadas. O aumento da superfície de água no Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica derivam do crescimento da água armazenada em hidrelétricas e outros tipos de reservatórios.

Com informações de MapBiomas e ABr
Compartilhe esta notícia
Senac 16 de julho — Capa (rail) CONTADOR - BONUS

Notícias Relacionadas