Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h12m
Vitória News — Um jornal de verdade
Política

Braga Netto entregou dinheiro em sacola de vinho para plano de matar autoridades, diz Moraes

FolhaPress 14/12/2024 12:12

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a prisão do general Walter Braga Netto, relata que ele "obteve e entregou os recursos necessários" para a organização e execução do plano de matar Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSB) e o próprio Moraes.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) foi preso na manhã deste sábado (14) pela PF (Polícia Federal) sob a suspeita de interferir nas investigações sobre a trama golpista em 2022. General de quatro estrelas do Exército, ele também foi candidato a vice na chapa de Bolsonaro na eleição de 2022.

A decisão afirma que o depoimento do tenente-coronel Mauro Cid a Moraes, associado a documentos obtidos na investigação, indica que "foi Walter Braga Netto quem obteve e entregou os recursos necessários para a organização e execução da operação 'Punhal Verde e Amarelo' - evento 'Copa 2022'".

SESC PICASSO

O Plano Punhal Verde Amarelo previa matar as autoridades e o evento Copa 2022 -a operação, abortada de última hora, para sequestrar Moraes no dia 15 de dezembro de 2022.

A defesa do general foi procurada, mas não se manifestou até o momento. Quando o plano veio à tona, Cid disse que não tinha conhecimento dele.

No relatório final do caso, divulgado em novembro, a PF havia listado uma série de atividades e mensagens de suspeito teor golpista que tiveram início a partir da reunião em 12 de novembro de 2022 na casa do general, que foi vice na chapa de Bolsonaro.

Cid apresentou, segundo a decisão de Moraes divulgada neste sábado, novos elementos sobre as circunstâncias desse encontro, ocorrido na residência de Braga Netto em 12 de novembro.

CONTADOR - BONUS

Os detalhes são relacionados ao financiamento das ações de forças especiais, e há relatos sobre dinheiro entregue em uma "sacola de vinho". Os valores teriam sido obtidos com o "pessoal do agronegócio".

"O general repassou diretamente ao então major Rafael de Oliveira dinheiro em uma sacola de vinho, que serviria para o financiamento das despesas necessárias a realização da operação", diz o documento, reproduzindo trecho do novo depoimento de Mauro Cid, que tem um acordo de delação premiada com as autoridades.

"O coronel [Rafael] De Oliveira esteve em reunião com o colaborador [Mauro Cid] e o general Braga Netto no Palácio do Planalto ou da Alvorada, onde o general Braga Netto entregou o dinheiro que havia sido solicitado para a realização da operação. O dinheiro foi entregue numa sacola de vinho", relata a decisão. "O general Braga Netto afirmou à época que o dinheiro havia sido obtido junto ao pessoal do agronegócio".

Anuncio - Raimundo - Bonus

Moraes ressalta na decisão de que há "fortes indícios e substanciais provas" de que Braga Netto "contribuiu, em grau mais efetivo e de elevada importância do que se sabia anteriormente" para o planejamento e financiamento de um golpe de Estado, e cuja consumação incluía o plano de detenção e possível execução do próprio Moraes, além de Lula e Alckmin.

A Polícia Federal prendeu Braga Netto na manhã deste sábado (14) em sua casa no Rio de Janeiro. Endereços ligados ao general também são alvo de buscas e apreensões. O general já foi indiciado pela trama golpista.

A Polícia Federal ainda faz buscas contra o coronel da reserva Flávio Peregrino, principal auxiliar de Braga Netto desde o governo Bolsonaro. Ele foi alvo de uma cautelar diversa de prisão.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas