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Boulos diz que 'há indícios fortes de fraude' na eleição da Venezuela

FolhaPress 20/08/2024 19:45

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado federal e candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) disse em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (20) que "há indícios fortes de fraude na eleição da Venezuela".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Boulos foi questionado pelos entrevistadores sobre o apoio ao regime de Nicolás Maduro anteriormente e disse que, na época, o venezuelano foi reconhecido presidente pelos governos dos Estados Unidos e do Brasil.

Na sequência, acrescentou: "Esta eleição [de 2024], que está sendo questionada por quase todos os governos do mundo, inclusive o brasileiro, é uma outra história. Há indícios fortes de fraude na eleição da Venezuela".

Ele disse ainda: "Se permanecer um presidente que foi eleito numa eleição sem transparência, ele não é legítimo".

"Como não seria legítimo no Brasil o [Jair] Bolsonaro tentar dar um golpe e virar a mesa da eleição como ele tentou".

Boulos se recusou a comentar a nota da direção do PT, divulgada em julho, que tratou Maduro como "presidente eleito".

Adversários de Boulos costumam usar o tema da Venezuela para pressioná-lo. "Você devia ser prefeito de Caracas", disse José Luiz Datena (PSDB) ao deputado durante o debate na TV Bandeirantes, no dia 8.

No mesmo evento, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que Boulos precisava "explicar quem é Maduro", ao ser questionado pelo deputado sobre contratos da prefeitura com um compadre do atual mandatário.

A posição adotada nesta quarta-feira marca uma mudança de tom do deputado.

SESC PICASSO

Em 2017, quando tinha como principal atividade a coordenação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Boulos defendeu a Assembleia Constituinte convocada por Maduro em 2017, vista então como uma forma do ditador de contornar a maioria oposicionista na Câmara dos Deputados.

Também disse que, diferente do então presidente Michel Temer, o venezuelano havia sido eleito pelo voto popular, referindo-se às eleições de 2013 no país vizinho.

Neste ano, como pré-candidato, afirmou em entrevista ao podcast O Assunto, do G1, que a Venezuela não é seu "modelo de democracia". "Se ficar comprovado que houve fraude nas eleições, se isso de fato se comprovar, e o governo que exercitou fraude permanecer no governo, aí você não vai ter mais lá uma democracia, definitivamente."

CONTADOR - BONUS

Em julho deste ano, Maduro foi proclamado reeleito pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano para um terceiro mandato com 52% dos votos. A oposição contesta o resultado e publicou em um site as cópias de mais de 80% das atas de votação que indicam a vitória do candidato opositor, Edmundo González, com 67% dos votos.

Segundo Maduro e o Conselho Nacional, as atas divulgadas foram falsificadas pela oposição. O órgão eleitoral ainda não publicou a contagem detalhada mesa por mesa e afirma que o sistema de votação automatizado foi alvo de um "ataque ciberterrorista". O Brasil não reconheceu a vitória de Maduro e cobra a publicação das atas pelo órgão eleitoral da Venezuela.

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