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Boulos critica bancos e pressão contra o fim da escala 6x1

Ministro diz que instituições dificultam crédito para motoristas e cobra avanço da proposta no Senado

Vitória News 30/06/2026 16:21
Boulos critica bancos e pressão contra o fim da escala 6x1
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou nesta terça-feira (30) a atuação de bancos na concessão de crédito do programa Move Brasil Aplicativos e também a pressão de setores empresariais contra a proposta que acaba com a escala 6x1.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As declarações foram dadas durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Segundo Boulos, grandes grupos econômicos têm atuado para dificultar medidas voltadas aos trabalhadores e à ampliação de oportunidades para a população de baixa renda.

O Move Brasil Aplicativos é um programa do governo federal voltado a facilitar a compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativo. De acordo com o ministro, a implementação da iniciativa enfrenta três principais problemas.

O primeiro, segundo ele, é a rejeição de pedidos de financiamento mesmo quando os interessados estão com o nome limpo. Boulos afirmou que os bancos têm usado critérios como “score”, “rating” e “taxa de risco” para negar crédito.

“Estamos tendo três tipos de problemas principais na implementação do Move Brasil. O primeiro problema é que a maioria dos que entram com pedido de crédito têm tido o seu cadastro rejeitado, mesmo tendo o nome limpo”, disse.

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O ministro argumentou que a linha de crédito conta com fundo garantidor do governo, o que deveria reduzir o risco para as instituições financeiras.

“Isso é inadmissível, porque a diferença do Move Brasil para uma linha de crédito normal de um banco é que o governo está entrando com o fundo garantidor. Se a pessoa tem nome limpo, o governo está entrando com o fundo garantidor, e esse crédito tem que ser aprovado”, afirmou.

Outro problema apontado por Boulos é a cobrança de entrada por parte de algumas instituições bancárias. Segundo ele, o pagamento não é obrigatório para acesso à linha especial de crédito.

“Novamente os bancos desrespeitam. Começaram a cobrar entrada quando, na verdade, ninguém é obrigado a pagar a entrada. Se uma instituição bancária cobrar isso, motorista, não aceite. Procure outra instituição”, alertou.

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O terceiro ponto citado pelo ministro envolve dificuldades de conexão entre bancos e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operacionalizar a linha de crédito de R$ 30 bilhões. Segundo Boulos, há casos em que o crédito foi aprovado, mas a contratação não foi concluída por falta de integração entre as instituições.

O ministro afirmou que o governo pretende chamar os bancos para discutir os entraves.

“Vamos chamar os bancos para botar a coisa no devido lugar. Especialmente os bancos privados, que é onde têm se concentrado boa parte dos problemas”, disse.

Boulos também criticou a demora na tramitação da proposta que acaba com a jornada de trabalho 6x1. O texto está no Senado, sob responsabilidade do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Segundo o ministro, não há justificativa para a pauta continuar parada há mais de um mês. Ele afirmou que a proposta tem apoio popular e representa uma resposta à exaustão vivida por milhões de trabalhadores.

“Não tem justificativa para um mês uma pauta que interessa ao povo brasileiro, uma pauta aprovada por mais de 70% da população brasileira, estar parada numa gaveta. Ao que parece, por interesses menores”, afirmou.

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“Nós estamos falando de dar tempo de descanso para as pessoas. Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão, de garantir que possam ter mais tempo com a sua família. Não foi por acaso que essa pauta ganhou força. Ela significa um grito de liberdade para o trabalhador brasileiro”, completou.

Boulos disse ainda que setores empresariais têm atuado contra o fim da escala 6x1 e criticou argumentos de que a mudança poderia elevar preços ou gerar impactos negativos na economia.

“Gente, isso não cola mais. Isso não cola para ninguém. Temos estudos demonstrando que o fim da escala 6x1 tem efeitos positivos no varejo, comércio, serviços, como foi com os aumentos reais do salário mínimo”, declarou.

A proposta que trata do fim da escala 6x1 reduz a jornada semanal e prevê mais tempo de descanso aos trabalhadores. O tema tem mobilizado centrais sindicais, movimentos sociais e entidades de trabalhadores, mas também enfrenta resistência de setores produtivos, que apontam preocupação com custos, produtividade e impactos econômicos.

Com informações da Agência Brasil.

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