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Economia

BC avalia adoção de instâncias colegiadas após suspeita de envolvimento de servidor com Master

Estadão Conteúdo 07/05/2026 18:10

Após suspeitas de que dois servidores trabalharam para favorecer o Banco Master internamente, o Banco Central anunciou nesta quinta-feira, 7, que vai avaliar a possibilidade de instituir instâncias colegiadas em todos os seus processos decisórios. A criação desse tipo de modelo já era vista como uma forma de evitar novos casos como o do banco de Daniel Vorcaro, como antecipou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) no início de março.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A possibilidade de criação de instâncias colegiadas no BC está prevista no Plano de Integridade 2026-2027, que integra o Plano Estratégico Institucional (PEI) 2026-2029 da autarquia. É uma das opções previstas em uma política interna de governança sobre processos decisórios, que vai ser analisada entre maio e dezembro deste ano e submetida à aprovação interna.

"O Plano de Integridade 2026-2027 reafirma o compromisso do BC com a construção de uma cultura organizacional ética, coerente com seus valores institucionais e com os princípios da administração pública", diz o documento divulgado hoje. O texto tem a mesma estrutura do apresentado para o biênio 2024-2025, mas enquanto o primeiro tratava mais de implantações e ações metodológicas, o atual avança e aborda temas mais atuais, como prevenção de conflitos, comportamento interpessoal e transparência de decisões, entre outros.

SESC PICASSO

O BC busca melhorar os processos decisórios, após a revelação de que dois servidores - o ex-diretor de Fiscalização e então chefe-adjunto do departamento de Supervisão, Paulo Sérgio Neves, e o então chefe do mesmo departamento, Belline Santana - teriam recebido vantagens indevidas para favorecer o Banco Master internamente, inclusive retardando o envio de documentos sobre o caso à Polícia Federal. Os dois funcionários foram afastados administrativamente da instituição no início do ano, decisão que depois foi confirmada pela Justiça. Ambos passam por processo administrativo na Controladoria-Geral da União (CGU).

Hoje, os técnicos da autoridade monetária têm grande autonomia na fiscalização de instituições financeiras, especialmente as de menor porte. A diretoria do BC, em contrapartida, toma a maior parte das decisões de forma conjunta - um modelo considerado mais seguro, tanto que o Master acabou liquidado. A criação de instâncias colegiadas inferiores reduziria a margem de manobra individual de cada agente.

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O Plano de Integridade aponta também para outros parâmetros possíveis em uma possível Política de Governança de Processos Decisórios, incluindo: validação em duas etapas das decisões; papéis e responsabilidades nos processos decisórios; padronização dos ciclos de decisão; padrões mínimos de qualidade em decisões (com notas técnicas, cenários alternativos e outras exigências); registro e rastreabilidade das decisões; e gestão de riscos, entre outros.

A autoridade monetária também lançou outras iniciativas para garantir a integridade no ambiente de trabalho, como a possibilidade de instituir uma alternância nas posições internas, em que "a alternância de ocupação possa mitigar conflitos de interesse e formação de relacionamentos inapropriados com partes interessadas, com entidades supervisionadas e com prestadoras de serviços."

Também fica prevista a adoção de uma "diligência prévia" e de outras medidas para mitigar conflitos de interesse ao alocar ou realocar servidores para "áreas sensíveis", para prevenir desvios de integridade.

Investigações internas

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Além das práticas de integridade no processo de trabalho, o BC também lançou um eixo de implementação de processos internos de responsabilização. Foi uma investigação interna da autarquia que levou à identificação dos indícios de recebimento de vantagens indevidas por Paulo Souza e Belline Santana, que depois foram encaminhados à Polícia Federal e à própria CGU.

O Plano de Integridade prevê a qualificação da equipe para conduzir investigações internas, além do fornecimento de ferramentas para auxiliar a condução de oitivas e da atualização e aperfeiçoamento dos procedimentos relacionados às demandas correcionais. Além disso, propõe "reduzir o custo administrativo relacionado à constituição de comissões processantes e aumentar o nível de qualificação dos respectivos membros."

O BC ainda prevê nove ações para fortalecer o monitoramento de riscos à integridade - definida, em nota, como a "prevenção, a detecção, a responsabilização e a remediação de fraudes e atos de corrupção, bem como a promoção e a observância de valores, normas e princípios orientados à proteção do interesse público e ao respeito a direitos."

As ações incluem: monitoramento periódico dos riscos; avaliação da própria estrutura e funcionamento da gestão da integridade do BC - podendo resultar em outro modelo, aderente às recomendações da OCDE -; e outras medidas nesse sentido.

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