O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, declarou, nesta quinta-feira (27), que a narrativa dos apoiadores da tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro não será aceita. Durante a sessão de julgamentos, Barroso enfatizou que o STF seguirá cumprindo seu papel como guardião da Constituição e da democracia, destacando que a verdade prevalecerá.
As declarações do presidente do STF ocorreram em resposta a críticas direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes, que foi recentemente alvo de um posicionamento do governo dos Estados Unidos. Barroso, sem mencionar diretamente as críticas do governo norte-americano, afirmou: "Sabemos o que tivemos que enfrentar para evitar o colapso das nossas instituições e impedir o golpe de Estado no Brasil. A tentativa de impor a narrativa dos que apoiaram um golpe fracassado não prevalecerá entre os verdadeiros democratas e cidadãos de bem."
O presidente do STF reiterou que a Corte continuará a proteger a Constituição e a democracia, enfrentando a verdade e repudiando a mentira. "Não tememos a verdade e muito menos a mentira", completou Barroso.
A declaração de Barroso ocorreu no mesmo dia em que o Departamento de Estado dos EUA emitiu um comunicado criticando as ações de Moraes, alertando que a imposição de multas e a restrição de acesso à informação, em especial a retirada de conteúdos de redes sociais, seriam "incompatíveis com a liberdade de expressão". Embora o governo dos Estados Unidos não tenha mencionado diretamente Alexandre de Moraes, a crítica estava relacionada a decisões do ministro, que determinou a remoção de postagens ilegais de usuários no Brasil, incluindo ações contra plataformas que operam no país.
Na última terça-feira (26), Moraes determinou a suspensão da rede social Rumble, após a constatação de que a empresa não possui representação legal no Brasil. A decisão foi tomada depois que os advogados da plataforma renunciaram ao mandato e não indicaram novos representantes no país. Essa medida gerou repercussões internacionais, especialmente no âmbito das relações Brasil-EUA.
Em sua defesa, Moraes reafirmou a soberania brasileira em sua atuação. Durante a sessão do STF, ele declarou: “Deixamos de ser colônia em 7 de setembro de 1822. Com coragem, estamos construindo uma República independente e democrática.” A postura do ministro reflete um compromisso com a autonomia das decisões judiciais no Brasil, independentemente da pressão externa.