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Barroso abre Judiciário com defesa de 'Gilmarpalooza' e viagens de ministros do STF

FolhaPress 01/08/2024 16:48

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luís Roberto Barroso, abriu o semestre do Judiciário nesta quinta-feira (1º) com discurso em defesa do Fórum Jurídico de Lisboa, organizado por instituto do ministro Gilmar Mendes.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo Barroso, o evento teve "grande e produtivo debate sobre temas brasileiros, com momentos de confraternização".

"Queria cumprimentar o ministro Gilmar Mendes pela realização do evento, que atende bem à comunidade jurídica brasileira", disse Barroso.

O Fórum de Lisboa é organizado pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), que tem Gilmar como sócio e o seu filho como dirigente. O evento ficou conhecido como "Gilmarpalooza", em referência ao festival Lollapalooza.

A participação de autoridades de diversos órgãos públicos virou motivo de críticas pelos gastos com viagem e despesas em Portugal. Em 2023, a participação de integrantes dos três Poderes custou ao menos R$ 1 milhão em passagens aéreas com dinheiro público.

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Na edição deste ano, o Congresso desembolsou ao menos R$ 600 mil para bancar a ida de 30 congressistas a Lisboa.

Os ministros do Supremo também sofrem recorrentes críticas pelo ambiente proporcionado pelo fórum para o lobby de advogados e empresários.

No discurso, Barroso também defendeu que não há problemas éticos na participação de ministros em eventos patrocinados por empresas interessadas em julgamentos no Supremo Tribunal Federal.

Para o ministro, a crítica à ida de ministros para esses eventos é resultado de um "preconceito que existe no Brasil contra a iniciativa privada".

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"[Empresários] evidentemente têm [interesse no Supremo]. Mas somos convidados e aceitamos participar de eventos com advogados, que têm interesse no Supremo; no Ministério Público, que tem interesse. Ministros visitam comunidades indígenas, que também têm interesse no Supremo", afirmou.

Barroso ainda comentou notícias de que o Supremo omite dados sobre a viagem de ministros.

"Uma das notícias que circularam é que o Supremo, sob a minha gestão, omite essas informações. O Supremo não tem essas informações e nem tem razão para ter a informação para onde cada ministro viaja no seu recesso ou lazer particular", afirmou o ministro.

Barroso ainda afirmou que nenhum ministro viaja com despesas pagas pelo STF, exceto quando o motivo do deslocamento é representar institucionalmente o tribunal em algum evento.

O presidente do Supremo defendeu também que os ministros do tribunal precisam de equipes de seguranças para suas viagens porque "o mundo infelizmente mudou".

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"Quase todos nós aqui já vivemos momentos difíceis de tentativa de agressão, de ameaça e hostilidade. E como o mundo mudou, nós evidentemente temos de fornecer segurança para os ministros, porque a agressão a um ministro, em atividade pública ou privada, é uma quebra de institucionalidade", afirmou Barroso.

Como a Folha mostrou, o tribunal tem tido gastos de diárias de seguranças em viagens internacionais. Um servidor recebeu quase R$ 100 mil para acompanhar o ministro Dias Toffoli durantes viagens a Londres, no Reino Unido, e Madri, na Espanha.

O pagamento corresponde a 25 diárias internacionais, de 23 de abril até 17 de maio.

"Não há nada de errado em que, com a parcimônia que se impõe ao Poder Público, seja garantida a segurança [aos ministros] para que não estejam sujeitos a ataques de ordens diversas que podem acontecer", disse Barroso.

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