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Economia

Banco Central só irá intervir no câmbio se notar alguma disfuncionalidade, afirma Galípolo

FolhaPress 29/11/2024 17:32

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O diretor de Política Monetária e futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que conversou com Roberto Campos Neto nesta sexta-feira (29) sobre uma eventual intervenção no câmbio, mas reforçou que a autoridade monetária só irá intervir se notar alguma disfuncionalidade no mercado.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"O câmbio flutuante é uma ferramenta muito importante dentro do que é a matriz da política econômica brasileira para poder absorver choques como esse que estamos assistindo. O Banco Central está sempre acompanhando para entender se existe algum tipo de disfuncionalidade, mas não mira qualquer tipo de nível de câmbio", disse Galípolo.

Neste pregão, o dólar chegou a disparar para R$ 6,115 na máxima da sessão. Às 15h45, era cotado a R$ 6,009, alta de 0,32% ante a véspera. Segundo analistas, o movimento reflete a quebra de expectativa do mercado com o ajuste fiscal, após o anúncio de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

SESC PICASSO

O diretor também mencionou a desvalorização do real como uma dos fatores que podem levar o Banco Central a manter um alto patamar de juros no Brasil. No início do mês, a autoridade monetária decidiu intensificar o ritmo de alta e elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, de 10,75% para 11,25% ao ano.

"Se você tem uma moeda mais desvalorizada, inclusive pela apreciação em dólares das demais moedas, você tem uma economia que está com o mercado de trabalho mais apertado, crescendo mais do que você imaginava, você vai precisar ter uma taxa de juros mais contracionista por mais tempo", disse Galípolo.

Nesta sexta, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego do Brasil ficou em 6,2% no trimestre terminado em outubro, o menor patamar da história da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o que pressiona a inflação e também reforça a necessidade de alta de juros por parte do BC.

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As declarações ocorreram durante evento promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), em São Paulo, com os principais dirigentes de bancos do país.

Galipolo disse que a fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aos banqueiros "esclarece bastante qual é a visão dele que sobre o rumo da economia" e que o ministro "está dando passos na direção correta, que não é bala de prata".

O anúncio do pacote fiscal da Fazenda foi recebido negativamente pelo mercado financeiro, e dólar atingiu sua máxima recorde ultrapassando os R$ 6, na quinta (28). Mesmo após falas dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Arthur Lira (PP-AL), respectivamente, para apaziguar parte dos ânimos do mercado, a moeda americana segue oscilando em alta.

Para Galípolo, o pacote anunciado pelo governo federal ainda está sendo "digerido".

AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL

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Questionado sobre a independência do Banco Central em seu mandato, Galípolo disse que a diretoria de política monetária do Banco Central tem uma composição mista, com quatro diretores do governo anterior e quatro indicados por Lula, e que as decisões são técnicas.

"Não existe um Banco Central de partido nenhum. As conversas se dão em um nível de honestidade intelectual e um desejo de acertar que na verdade a pessoa não está apresentando um argumento para tentar convencer o outro, está se apresentando um argumento porque você quer ouvir a opinião do outro e poder dirimir dúvidas, poder acessar os problemas e os desafios com a devida humildade que enfrentar a política monetária demanda", disse o diretor.

O futuro presidente do BC também reafirmou que a definição da meta inflacionária é de responsabilidade do CMN (Conselho Monetário Nacional), do qual ele participará, ao lado de Haddad e Tebet.

"A partir disso, cabe ao comitê de política monetária estabelecer a taxa de juros num patamar restritivo, suficiente pelo tempo necessário para atingir a meta", completou.

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