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Política

Áreas de expansão do agro têm recorde de conflitos por terra sob Lula, diz relatório

FolhaPress 23/04/2025 12:51

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Áreas de expansão agrícola na Amazônia e no Cerrado registraram recordes de conflitos por terra durante o terceiro mandato do presidente Lula (PT), mostra relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgado nesta quarta-feira (23).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O documento indica ainda que o número de contaminações por agrotóxico explodiu em 2024, um crescimento de 762% com relação ao ano anterior. Por outro lado, os casos de violência contra a pessoa em geral e de assassinatos caíram nesse mesmo intervalo.

Segundo o relatório, em 2024 foram registrados 1.768 casos de conflitos por terra, maior número dos últimos dez anos.

Quando se considera o total de conflitos no campo (que incluem, além da terra, disputas por água ou ligadas ao trabalho, por exemplo), o número sobe para 2.185, o segundo maior número da série histórica iniciada em 1985. Fica atrás apenas de 2023 —o primeiro ano do governo Lula —, quando houve 2.203 ocorrências, um recorde. É a primeira redução no total anual desde 2021.

A queda geral de 2023 para 2024 contrasta com o que acontece nas regiões conhecidas como Amacro e Matopiba, áreas de expansão agrícola e que correspondem, respectivamente, a parte dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia, e do Maranhão, Tocantins, Piauí e da Bahia.

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Na Amacro, região no sudoeste da Amazônia Legal que se tornou a mais recente fronteira de expansão do agronegócio brasileiro, foram registrados 185 conflitos por terra em 2024, um recorde.

O número é quase o mesmo de 2023 (183) e representa um aumento de quase 60% com relação ao registrado há dez anos, em 2015 (117).

O professor da Universidade Federal de Rondônia Afonso Maria das Chagas, que assina um dos artigos que compõem o relatório da CPT, define o ocorrido na região como "uma das mais agressivas estratégias de avanço do agronegócio desde os projetos de colonização dos anos 1970".

No Matopiba —fronteira de expansão agrícola mais antiga e que atinge sobretudo o Cerrado—, foram 415 casos de conflito em 2024, 240% a mais que os 122 de dez anos atrás.

"Assim como o Matopiba foi constituído sobre um acúmulo de conflitos e contradições, a Amacro reproduz aceleradamente a perversidade dessas dinâmicas expansionistas", diz Chagas.

A Comissão Pastoral da Terra completa 50 anos em 2025 e, há 40, realiza os registros de conflitos no campo.

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Em seu terceiro mandato, Lula tem sido pressionado, de um lado, pelo agronegócio, que tem a maior bancada do Congresso Nacional e é majoritariamente de oposição, e de outro, pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), que reivindica a aceleração do programa de reforma agrária.

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A pressão do agro aparece no relatório no destaque dado à atuação do grupo Invasão Zero, movimento ruralista, com incidência no Congresso Nacional, que tem como pauta a defesa da propriedade privada no campo e a luta contra a reforma agrária.

Segundo a CPT, o grupo está ligado a casos de pistolagem, incêndios, intimidação e tentativa de assassinato e é responsável pela morte da líder indígena Nega Pataxó, em janeiro de 2024.

O documento também apresenta um recorde de casos de contaminação por agrotóxico, impulsionado, segundo a CPT, pelo estado do Maranhão, onde a pulverização foi responsável por 228 das 276 ocorrências, de acordo com o relatório. No total, mais de 17 mil famílias foram afetadas.

O registros de trabalho análogo à escravidão, por sua vez, caíram de 251 para 151 entre 2023 e 2024, uma queda de cerca de 40%. A quantidade de pessoas resgatadas dessa condição passou de 2.663 para 1.622.

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O garimpo e o desmatamento ilegal são as atividades mais associadas pela CPT a estas ocorrências.

Já os conflitos relacionados à água (que envolvem desde acesso ao recurso como atingidos por barragens) subiram de 230 para 266 neste mesmo intervalo.

O registro de ameaças de morte cresceu de 219 para 272 entre os últimos dois anos. Por outro lado, o total de casos de violência contra a pessoa diminuiu de 1.720 para 1.528, e o de assassinatos, de 31 para 13.

Dentre os mortos, estão cinco indígenas, três sem terra, dois assentados, um pequeno proprietário, um posseiro e um quilombola.

Segundo o relatório, oito dos assassinatos (62% do total), aconteceram em áreas de fronteira agrícola.

Nos últimos dez anos, foram quase 1.500 conflitos registrados na Amacro, o que representa quase 60% de todos os registrados na Amazônia Legal. Em contraste, a região representa menos de 10% da área total amazônica.

O total de famílias atingidas por conflitos nestas fronteiras também chegou a um patamar recorde de mais de 16 mil.

Os principais tipos de violência registrados na Amacro foram despejo judicial (18,2%), ameaça de expulsão (17,8%), invasão (12,4%), grilagem (11,5%) e desmatamento ilegal (10,7%).

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