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Economia

Após 3 anos sem novos trainees, Magalu voltará a ter programa exclusivo para negros

FolhaPress 27/11/2024 09:56

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de passar três anos sem abrir novos processos seletivos para programas de trainee, o Magalu planeja retomar as contratações de jovens profissionais. Assim como a empresa fez em 2020 e em 2021, serão selecionados apenas candidatos negros.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A retomada pode reaquecer um debate que ganhou força em setembro de 2020, quando o Magalu abriu as inscrições da seleção de trainees exclusiva para negros. Na época, as redes sociais levantaram uma enxurrada de ataques racistas.

A repercussão evidenciou as estatísticas da baixa participação de pessoas negras em cargos de comando de grandes empresas no Brasil e estimulou outras companhias a lançarem recrutamentos com o mesmo formato.

O freio na abertura de novas seleções de trainees aconteceu no cenário pós-pandemia, segundo Frederico Trajano, presidente do Magalu. Os dois programas da varejista exclusivos para negros foram lançados no auge do ciclo econômico positivo que beneficiou o setor, mas depois foi interrompido por retração da economia, dos resultados e alta de juros.

"A ciclicalidade econômica negativa dificulta promoções. Nós reduzimos quadro em 2022 e 2023. Então, é mais complexo promover ao mesmo tempo em que se faz baixa de quadro. Tanto é que fizemos mais um programa de trainee em 2021 e depois tivemos um hiato. Não fazia sentido ter mais programa se a gente estava fazendo reduções de quadro. Agora, devemos retomar entre o fim deste ano e o próximo", afirma o empresário.

SESC PICASSO

Dos 19 jovens que entraram no primeiro programa de trainees exclusivo para profissionais negros em 2020, 14 permaneceram na companhia, com promoções de salário e cargo, segundo Trajano.

Como acontece em todos os programas historicamente, uma parte dos trainees deixa a empresa porque recebe propostas no mercado ou por outro motivo. Trajano afirma que, neste caso, a saída de trainees foi mais baixa do que a média histórica de programas anteriores.

Passados quatro anos, a experiência comprovou que a atração de talentos negros não estava atingindo o seu objetivo antes do programa de 2020, avalia o empresário.

"Era mais uma questão de dar chance e dar oportunidade para pessoas que, às vezes, não se achavam pertencentes a um programa de trainee, que não achavam que tinham condição de fazer", afirma.

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"Tem muita gente excepcional, de muito talento, de muita qualidade, mas simplesmente, nós não estávamos conseguindo atrair essas pessoas ou elas mesmas não estavam sentindo que o programa de trainee era para elas. Eu sabia que, uma vez que essa engrenagem funcionasse, as coisas iriam andar mais naturalmente. A gente sempre quis os talentos negros", diz Trajano.

Além de acelerar a carreira dentro da empresa, os ex-trainees investiram em outras atividades de capacitação neste período. Alguns permaneceram em suas áreas e outros mudaram. Eles avaliam que a rotatividade por diferentes setores da companhia e o trânsito nos ambientes da diretoria ajudaram a esclarecer as possibilidades de carreira e a abrir escolhas.

Cleison Xavier, um dos candidatos que ingressou na seleção de 2020, lidera hoje uma equipe de nove pessoas no Magalu na área de tecnologia. Ele concluiu o mestrado iniciado antes do programa de trainee e afirma que está na fase de redação de seu novo trabalho de conclusão de um MBA em engenharia de software na USP. Mas a partir do ano que vem,já tem programado um período de estudos em Portugal e outro nos Estados Unidos.

"Me inscrevi para participar de uma bolsa para um programa executivo no Instituto Universitário de Lisboa e acabei ganhando uma bolsa de 100%. E me inscrevi para uma outra vaga também do Laiob (Latin América Institute of Business), dessa vez em Ohio, sobre gestão de projetos, com bolsa de 50%", diz Xavier.

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Kizzy Lima, que já trabalhava no Magalu em um posto de analista pleno, foi promovida a gerente de tesouraria.

"Antes do processo seletivo de 2020, eu não me via como uma profissional que teria a possibilidade de ser trainee. Eu sempre vi o trainee como alguém que precisava ser formado em universidades públicas, ter intercâmbio e várias experiências. Quando abriu o processo, eu tive muitos incentivadores dentro da empresa, pessoas que enxergavam em mim algo que eu ainda não conseguia ver. Então, agarrei com muita intensidade e foi transformador", diz.

Lima se prepara para, nas férias, embarcar para um intercâmbio de inglês em Toronto.

Para Allana Cordeiro, que galgou as posições de analista sênior, especialista e agora atua como coordenadora de modelo de gestão, um dos pontos altos do programa foi o contato mais próximo com a direção da empresa.

"Essa proximidade nos traz o desafio de ir atrás para aprender cada vez mais. E também traz uma segurança de que eu estou aqui porque tenho capacidade de acompanhar assuntos estratégicos e porque tenho capacidade e potencial de oferecer meus serviços, dar algum tipo de sugestão, crítica ou influenciar de alguma forma", diz Cordeiro.

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