Ferramenta gratuita mostra produtos atingidos, possíveis isenções e mercados alternativos; agência prevê investir R$ 130 milhões na diversificação das vendas externas
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil, lançou uma plataforma de inteligência comercial para ajudar empresas brasileiras a avaliar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e identificar oportunidades em outros mercados.
O Painel de Medidas Tarifárias dos EUA permite consultar, pelo código SH6 ou pela descrição da mercadoria, se determinado produto está sujeito a sobretaxas, possui isenções ou pode encontrar destinos alternativos para exportação.
O código SH6 corresponde aos seis primeiros dígitos da Nomenclatura Comum do Mercosul, utilizada para identificar produtos nas operações de comércio exterior.
A ferramenta também apresenta dados sobre a evolução das exportações entre Brasil e Estados Unidos e reúne informações sobre diferentes medidas comerciais norte-americanas.
Entre elas estão as tarifas da Seção 232, aplicadas a setores como aço, alumínio e cobre sob a justificativa de segurança nacional; a tarifa temporária da Seção 122; e a investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais brasileiras, que prevê cobrança adicional de 25% a partir de 22 de julho.
Segundo a ApexBrasil, as informações poderão auxiliar as empresas no planejamento das operações, na avaliação dos custos e na procura por novos compradores.
Setores com maior exposição
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras recuou de 19,1% em 2005 para 10,8% em 2025, segundo levantamento da agência.
No mesmo período, o número de estados brasileiros que tinham os norte-americanos como principal destino das vendas externas diminuiu de 17 para seis. A China passou a ocupar a primeira posição em 14 estados.
Apesar da redução da dependência geral, alguns produtos continuam fortemente concentrados no mercado dos Estados Unidos.
O setor sucroalcooleiro destina 2,6% das exportações ao país. Em contrapartida, os norte-americanos recebem 84% das vendas externas brasileiras de mel natural, 94,3% das exportações de filés de tilápia e 96,1% das vendas de sebo bovino.
Essa concentração torna esses segmentos mais vulneráveis ao aumento das tarifas e a eventuais restrições comerciais.
Defesa dos exportadores
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que a agência acompanha as medidas por meio do escritório mantido nos Estados Unidos e trabalha com entidades empresariais na elaboração de defesas técnicas.
Segundo Müller, aproximadamente 20 setores receberam apoio na preparação de materiais relacionados à investigação da Seção 301, com dados comerciais, técnicos e científicos.
Dez segmentos também tiveram consultoria individualizada para elaborar manifestações e participar de audiências públicas nos Estados Unidos.
Entre os resultados desse trabalho está a retirada dos quartzitos brasileiros da lista de produtos sobretaxados, após a atuação do setor de rochas ornamentais.
A agência também pretende ampliar a quantidade de produtos brasileiros isentos das cobranças no mercado norte-americano.
Plano de R$ 130 milhões
A ApexBrasil prevê investir pelo menos R$ 130 milhões, em parceria com associações e entidades setoriais, em programas voltados à diversificação das exportações.
A estratégia deverá ser detalhada no início de agosto e incluirá ações para ampliar a presença brasileira na União Europeia, no México, no Canadá, na América Central e no Caribe.
Em 2025, a agência realizou mais de 80 ações de promoção comercial e conectou cerca de 2,4 mil empresas a novos mercados.
De acordo com a ApexBrasil, 72% das empresas apoiadas conseguiram acrescentar pelo menos um novo destino às exportações após o início das barreiras comerciais norte-americanas.
Mesmo com o cenário de restrições, o Brasil encerrou 2025 com recorde de US$ 348,3 bilhões em exportações.
Fonte: Brasil 61 e ApexBrasil