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Economia

Ao menos 5.000 pessoas com deficiência intelectual conseguiram trabalho no Brasil desde 2013

FolhaPress 26/08/2025 10:12

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao menos 5.000 pessoas com deficiência intelectual e autismo com grau de comprometimento mais elevado conseguiram trabalho no Brasil desde 2013 por meio do método de emprego apoiado, que facilita a inserção de profissionais com deficiência ou em situação de vulnerabilidade social no mercado formal.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os dados são do Instituto Jô Clemente, uma das organizações mais atuantes na preparação do grupo para o trabalho.

Segundo o Censo 2022 do IBGE, 1,4% dos brasileiros, algo como 2,6 milhões de pessoas, têm uma condição diferente de tratar questões do dia a dia, de resolver tarefas e de interagir com o conhecimento.

Dentre as contratações de pessoas com deficiência intelectual, 60% estão concentradas em São Paulo, mas os dados incluem, desde 2019, oportunidades também nas capitais e em regiões metropolitanas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O ritmo das contratações foi interrompido pela pandemia de Covid-19, quando chegou a 507 em 2019, caindo para 345 no ano seguinte e 385 em 2021. O crescimento foi retomado em 2022, com 517 inclusões, e atingiu o pico em 2023, de acordo com o Instituto Jô Clemente.

As vagas estão distribuídas em diversos segmentos: indústrias, laboratórios, prestadoras de serviços, com destaque para o varejo, sobretudo no ramo de alimentação e de supermercados.

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As maiores empresas que contrataram no modelo apoiado foram McDonald's (Arcos Dorados), Grupo Pão de Açúcar, Colgate-Palmolive, Grupo Fleury e Roldão Atacadista, considerando as vagas acompanhadas pelo instituto.

Um exemplo é a auxiliar administrativa Dayanne Alves Santana, 30, que atua há dois anos no Grupo Fleury.

Dayanne, que tem deficiência intelectual leve e é acompanhada pelo programa, conta que teve outras três experiências profissionais com o apoio do método. "Quero ter outras oportunidades na empresa. Também pretendo fazer faculdade de recursos humanos ou psicologia."

O coordenador de Inclusão Social do Instituto Jô Clemente, Flávio Gonzalez, afirma que, em 2012, a organização fazia 90 inclusões anuais. No ano seguinte, com a adoção da metodologia de emprego apoiado, o número triplicou, chegando à média atual de 500 contratações por ano.

Para obter essa marca, o instituto busca as empresas e é procurado por elas, que precisam cumprir a Lei de Cotas [8.213/91], que determina que empresas a partir de cem empregados tenham em seus quadros de 2% a 5% de pessoas com deficiência.

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"Preparamos as empresas para receber esse público, fazemos orientações, identificamos as melhores oportunidades e fazemos o acompanhamento após a contratação para que essa pessoa possa desenvolver seus potenciais, permanecer na empresa e crescer profissionalmente, pois contratar não quer dizer incluir. Às vezes a pessoa está contratada, mas está excluída dentro da empresa", diz Gonzalez.

De acordo com o instituto, o trabalhador e seu gestor, em período de 15 a 20 dias, recebem visitas de acompanhamento para análises de desempenho e ajustes de procedimento, mas também há um trabalho para o desenvolvimento de apoio por meio de colegas, lideranças ou adaptações de algumas tarefas.

Contudo, apesar do avanço na última década, a inclusão de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho continua sendo um desafio por causa do estigma em torno da condição.

"Muitas vezes passam menos atividades achando que a pessoa não dará conta, investem menos na capacitação, mas elas têm suas potencialidades, convivem em sociedade, realizam trabalhos. Quando entramos com o emprego apoiado, as pessoas apresentam resultados", afirma Gonzalez.

O assistente de advocacy do instituto, Ronie Vitorino, 36, que sempre contou com a modalidade de inserção, inclusive no atual emprego, afirma que não é comum encontrar pessoas com a condição nos ambientes de trabalho.

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"Na primeira empresa, onde atuava no controle de qualidade de embalagens, havia mais quatro pessoas com deficiência intelectual, já na segunda, na qual eu fazia recrutamento e seleção só tinha eu."

Ele relata que sofreu capacitismo no passado mesmo com o emprego apoiado.

"Já vivi uma situação na qual recebi menos atividades do que eu conseguia fazer, o que foi revisado. Por isso, digo que o emprego apoiado ajuda a combater o preconceito. É de suma importância esse acompanhamento tanto para a pessoa com deficiência intelectual como para os outros funcionários, pois é uma troca. Um aprende com o outro. As empresas que de fato acolhem a pessoa com deficiência transformam todo o ambiente do trabalho."

Para a CEO da Talento Incluir, Carolina Ignarra, o emprego apoiado não é só uma metodologia de trabalho, ele exige ainda mais disposição da empresa para que a pessoa com deficiência intelectual tenha uma carreira desenhada de forma diferente, de acordo com seu perfil, para que ela se sinta recompensada, valorizada e que também esse desenho de carreira esteja em equilíbrio com os negócios.

"Não é mais uma questão de cumprimento de lei de cotas. As empresas, seus produtos e serviços precisam ser inclusivos muito mais do que ter inclusão."

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