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Analistas veem disputa geopolítica por trás da pressão dos EUA sobre o Pix

Especialistas avaliam que sistema brasileiro amplia a soberania financeira do país, reduz a dependência de redes estrangeiras e ajuda a explicar sua inclusão nas justificativas para a tarifa de 25%

Vitória News 21/07/2026 09:31
Analistas veem disputa geopolítica por trás da pressão dos EUA sobre o Pix
Foto: Bruno Peres/ABr

A pressão do governo dos Estados Unidos sobre o Pix pode estar relacionada a uma disputa mais ampla pelo controle da infraestrutura financeira internacional. A avaliação é de especialistas em economia e relações internacionais ouvidos pela Agência Brasil.

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Segundo os analistas, a inclusão do sistema brasileiro entre as justificativas apresentadas pelo governo de Donald Trump para a tarifa adicional de 25% teria motivações principalmente geopolíticas, e não apenas comerciais.

O Pix reduziu a dependência brasileira de sistemas privados de pagamento sediados nos Estados Unidos e ampliou a autonomia do país sobre transferências financeiras realizadas no mercado interno.

Sistema reduz dependência de empresas estrangeiras

Para o professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Maicon Cláudio da Silva, a reação norte-americana está ligada à redução de sua influência sobre o sistema financeiro brasileiro.

O economista compara o movimento do Brasil ao de países que desenvolveram estruturas próprias de pagamento para diminuir a dependência de redes internacionais.

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Apesar do crescimento do Pix, o uso de cartões também avançou no país. Em 2025, o setor movimentou R$ 4,5 trilhões, crescimento de 10,1%, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços.

Na avaliação de Silva, o sistema instantâneo contribuiu para ampliar a bancarização e levar ao ambiente digital operações que antes eram realizadas principalmente com dinheiro em espécie.

Tarifas podem atingir empresas dos próprios EUA

O professor também observa que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil. Nesse cenário, uma tarifa adicional pode atingir empresas norte-americanas que vendem produtos ao mercado brasileiro ou dependem de insumos e negócios bilaterais.

Segundo o especialista, o objetivo imediato da medida não seria apenas econômico, mas também político, ao utilizar barreiras comerciais como instrumento de pressão internacional.

Pix amplia soberania financeira

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O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra Ronaldo Carmona classifica o Pix como um instrumento de poder e soberania econômica.

O sistema permite que o Brasil organize parte relevante de seus pagamentos sem depender diretamente de redes estrangeiras. Também pode facilitar operações internacionais realizadas em moedas nacionais, reduzindo a participação do dólar em determinadas transações.

O Banco Central mantém acordos de cooperação técnica com 47 países interessados em conhecer ou desenvolver sistemas semelhantes ao Pix.

Para Carmona, a expansão desse modelo pode diminuir gradualmente a influência de estruturas financeiras controladas por empresas e instituições norte-americanas.

Sistema nacional pode limitar alcance de sanções

Outra característica apontada pelos especialistas é a capacidade de sistemas nacionais de pagamentos reduzirem os efeitos de sanções impostas por governos estrangeiros.

Empresas com sede nos Estados Unidos precisam cumprir determinações da Casa Branca, inclusive restrições contra países, instituições ou pessoas.

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Redes próprias, por outro lado, permitem que as transações internas continuem funcionando sem depender diretamente de companhias submetidas às regras norte-americanas.

Os analistas citam o bloqueio econômico contra Cuba como exemplo da influência exercida pelos Estados Unidos por meio dos sistemas financeiros e das redes internacionais de pagamento.

Europa também busca maior autonomia

A preocupação com a dependência de plataformas estrangeiras não está restrita ao Brasil.

A União Europeia desenvolve o euro digital, sistema público de pagamentos eletrônicos com previsão de projeto-piloto em 2027.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, já afirmou que a iniciativa pretende reduzir a dependência europeia de redes norte-americanas e chinesas.

O movimento europeu reforça uma tendência internacional de criação de sistemas soberanos de pagamento, capazes de ampliar a autonomia econômica e diminuir a influência de empresas estrangeiras sobre as transações nacionais.

Fonte: Agência Brasil

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