A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou força nos últimos meses, mas a medida já deixou de ser apenas proposta em parte da América Latina. Países como Colômbia, Chile e México aprovaram mudanças para diminuir a carga semanal de trabalho sem reduzir salários — e sem provocar o colapso econômico frequentemente apontado por críticos da proposta.
O avanço das mudanças ocorre em meio a pressões sociais, debates sobre qualidade de vida e discussões sobre produtividade. Em comum, os três países adotaram modelos de transição gradual para permitir adaptação do mercado e das empresas.
A Organização Internacional do Trabalho recomenda jornadas próximas de 40 horas semanais, mantendo limite máximo de 48 horas com pagamento de horas extras.
Como cada país reduziu a jornada
| País | Jornada anterior | Nova jornada | Situação atual |
|---|
| Colômbia | 48h semanais | 42h semanais | Implementação gradual até julho de 2026 |
| Chile | 45h semanais | 40h semanais | Redução em andamento até 2028 |
| México | 48h semanais | 40h semanais | Aplicação começará em 2027 |
| Brasil | 44h semanais | Debate sobre 40h ou 36h | Propostas ainda em discussão |
Na Colômbia, a mudança foi aprovada em 2021 durante o governo de direita de Iván Duque. A jornada caiu inicialmente para 47 horas e agora será reduzida para 42 horas semanais em julho de 2026. A proposta foi apresentada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, um dos principais nomes da direita colombiana.
Especialistas apontam que a medida surgiu após a forte onda de protestos sociais iniciada em 2019, que abalou o cenário político colombiano e abriu espaço para mudanças trabalhistas e sociais.
Além da redução da jornada, o governo de Gustavo Petro aprovou novas regras trabalhistas, como pagamento de adicional noturno a partir das 19h e aumento das horas extras em domingos e feriados.
No Chile, a redução foi sancionada em 2023 pelo presidente Gabriel Boric. O país iniciou a transição de 45 para 40 horas semanais de forma gradual: primeiro para 44 horas, depois para 42, até chegar às 40 horas em 2028.
A mudança chilena também nasceu em meio às grandes manifestações populares de 2019, quando milhares foram às ruas contra desigualdades econômicas e o modelo neoliberal do país.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum promulgou neste ano a redução da jornada de 48 para 40 horas semanais. A implementação será gradual entre 2027 e 2030.
Apesar das críticas empresariais registradas nos três países, nenhuma das economias interrompeu suas atividades por causa da redução da jornada. Em todos os casos, governos adotaram mecanismos de adaptação gradual e flexibilização operacional para empresas.
No Brasil, o debate envolve propostas de redução da jornada para 40 ou até 36 horas semanais, além do fim da escala 6x1. Empresários alegam risco de aumento de custos e inflação, enquanto defensores argumentam que jornadas menores aumentam produtividade, qualidade de vida e geração de empregos.
Os exemplos latino-americanos agora passaram a ocupar o centro dessa discussão.