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América Latina reduziu jornada e economia não colapsou

Colômbia, Chile e México cortaram horas de trabalho, mantiveram salários e viraram referência no debate que agora pressiona o Brasil

Vitória News 06/05/2026 10:50
América Latina reduziu jornada e economia não colapsou
Foto: Letycia Bond/ABr

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou força nos últimos meses, mas a medida já deixou de ser apenas proposta em parte da América Latina. Países como Colômbia, Chile e México aprovaram mudanças para diminuir a carga semanal de trabalho sem reduzir salários — e sem provocar o colapso econômico frequentemente apontado por críticos da proposta.

O avanço das mudanças ocorre em meio a pressões sociais, debates sobre qualidade de vida e discussões sobre produtividade. Em comum, os três países adotaram modelos de transição gradual para permitir adaptação do mercado e das empresas.

A Organização Internacional do Trabalho recomenda jornadas próximas de 40 horas semanais, mantendo limite máximo de 48 horas com pagamento de horas extras.

Como cada país reduziu a jornada

PaísJornada anteriorNova jornadaSituação atual
Colômbia48h semanais42h semanaisImplementação gradual até julho de 2026
Chile45h semanais40h semanaisRedução em andamento até 2028
México48h semanais40h semanaisAplicação começará em 2027
Brasil44h semanaisDebate sobre 40h ou 36hPropostas ainda em discussão

Na Colômbia, a mudança foi aprovada em 2021 durante o governo de direita de Iván Duque. A jornada caiu inicialmente para 47 horas e agora será reduzida para 42 horas semanais em julho de 2026. A proposta foi apresentada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, um dos principais nomes da direita colombiana.

Especialistas apontam que a medida surgiu após a forte onda de protestos sociais iniciada em 2019, que abalou o cenário político colombiano e abriu espaço para mudanças trabalhistas e sociais.

Além da redução da jornada, o governo de Gustavo Petro aprovou novas regras trabalhistas, como pagamento de adicional noturno a partir das 19h e aumento das horas extras em domingos e feriados.

No Chile, a redução foi sancionada em 2023 pelo presidente Gabriel Boric. O país iniciou a transição de 45 para 40 horas semanais de forma gradual: primeiro para 44 horas, depois para 42, até chegar às 40 horas em 2028.

A mudança chilena também nasceu em meio às grandes manifestações populares de 2019, quando milhares foram às ruas contra desigualdades econômicas e o modelo neoliberal do país.

No México, a presidente Claudia Sheinbaum promulgou neste ano a redução da jornada de 48 para 40 horas semanais. A implementação será gradual entre 2027 e 2030.

Apesar das críticas empresariais registradas nos três países, nenhuma das economias interrompeu suas atividades por causa da redução da jornada. Em todos os casos, governos adotaram mecanismos de adaptação gradual e flexibilização operacional para empresas.

No Brasil, o debate envolve propostas de redução da jornada para 40 ou até 36 horas semanais, além do fim da escala 6x1. Empresários alegam risco de aumento de custos e inflação, enquanto defensores argumentam que jornadas menores aumentam produtividade, qualidade de vida e geração de empregos.

Os exemplos latino-americanos agora passaram a ocupar o centro dessa discussão.

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