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Sustentabilidade

Amazônia perdeu 52 milhões de hectares de vegetação em 40 anos

Vitória News 15/09/2025 11:27

A ocupação da Amazônia nas últimas quatro décadas colocou em xeque a capacidade da maior floresta tropical do planeta de manter o equilíbrio climático global. Dados da série histórica do MapBiomas, divulgados nesta segunda-feira (15), mostram que entre 1985 e 2024 a região perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa — uma área equivalente ao território da França.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Essa perda representa 13% do território do bioma. Somada às áreas já afetadas anteriormente, a Amazônia havia perdido, até 2024, 18,7% de sua vegetação original. Desse total, 15,3% foram convertidos para usos humanos, como pecuária, agricultura, silvicultura e mineração.

“A Amazônia brasileira está se aproximando da faixa de 20% a 25% prevista pela ciência como o possível ponto de não retorno do bioma, a partir do qual a floresta não consegue mais se sustentar”, alerta o pesquisador do MapBiomas, Bruno Ferreira.

Avanço das atividades humanas

O levantamento indica que 83% da vegetação suprimida nas últimas quatro décadas deram lugar a atividades econômicas. As pastagens, por exemplo, saltaram de 12,3 milhões de hectares em 1985 para 56,1 milhões em 2024.

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A agricultura teve crescimento ainda mais expressivo: a área cultivada aumentou 44 vezes no período, passando de 180 mil hectares para 7,9 milhões. A silvicultura de espécies exóticas cresceu 110 vezes, de 3,2 mil hectares para 352 mil. Já a mineração avançou de 26 mil para 444 mil hectares.

Evolução do uso do solo na Amazônia (1985–2024)

Atividade 1985 (ha) 2024 (ha) Crescimento
Pastagens 12,3 mi 56,1 mi 4,5 vezes
Agricultura 180 mil 7,9 mi 44 vezes
Silvicultura 3,2 mil 352 mil 110 vezes
Mineração 26 mil 444 mil 17 vezes

A expansão da soja e a moratória

A soja se consolidou como a principal cultura agrícola da Amazônia, respondendo por 74,4% de toda a área cultivada — cerca de 5,9 milhões de hectares em 2024.

Grande parte dessa expansão ocorreu após a Moratória da Soja, acordo firmado em 2008 que proíbe a compra de grãos cultivados em áreas desmatadas no bioma depois dessa data. Entre 2008 e 2024, a soja avançou sobre 4,3 milhões de hectares, sendo que 3,8 milhões já haviam sido convertidos para pastagens ou outras culturas. No entanto, 769 mil hectares de florestas foram diretamente transformados em lavouras de soja após a data-limite.

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Impactos ambientais e secas cada vez mais severas

O estudo mostra que 95% da área desmatada corresponde a formações florestais — cerca de 49,1 milhões de hectares. Essa perda tem provocado impactos diretos no regime hídrico do bioma.

“Já podemos perceber alguns dos impactos dessa perda de cobertura florestal, como nas áreas úmidas do bioma. Os mapas de cobertura e uso da terra na Amazônia mostram que ela está mais seca”, afirma Bruno Ferreira.

As áreas cobertas por água também diminuíram. Entre 1985 e 2024, houve retração de 2,6 milhões de hectares em florestas alagáveis, mangues e campos úmidos. O fenômeno se intensificou na última década, que registrou oito dos dez anos mais secos da série histórica.

Regeneração parcial da vegetação

Apesar das perdas, 2% da cobertura atual da Amazônia corresponde à chamada vegetação secundária — cerca de 6,9 milhões de hectares. São áreas que haviam sido convertidas e passaram por processo de regeneração, sem sofrer novos desmatamentos.

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Em 2024, 88% do desmatamento ocorreu sobre vegetação primária e 12% em áreas em regeneração.

Políticas públicas e combate ao desmatamento

O governo federal afirma que vem reforçando medidas para conter a destruição da floresta. Uma das ações é a criação, em 2024, da Comissão Interministerial de Prevenção e Controle do Desmatamento (CIPPCD), que reúne 19 ministérios em ações integradas.

O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), também tem desempenhado papel central no monitoramento, ajudando a reduzir em até 45,7% os alertas de desmatamento entre 2023 e 2024.

Com o apoio do reativado Fundo Amazônia, estados e municípios voltaram a receber recursos para projetos de preservação e alternativas econômicas sustentáveis. Em 2024, o governo investiu R$ 318,5 milhões em ações de fiscalização, aquisição de drones e helicópteros, além do reforço da presença policial na região.

A meta estabelecida é zerar o desmatamento ilegal até 2030, enfrentando os principais desafios: o avanço da fronteira agrícola e o garimpo ilegal.

Fonte: Br61

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