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Sustentabilidade

Alter do Chão alia turismo, conservação da floresta e valorização das comunidades amazônicas

Mudança no nível dos rios transforma a paisagem ao longo do ano e reforça a importância de experiências ligadas à preservação ambiental e aos modos de vida tradicionais

Vitória News 30/08/2026 07:32
Alter do Chão alia turismo, conservação da floresta e valorização das comunidades amazônicas
Foto: Divulgação

Alter do Chão, distrito de Santarém, no Pará, é conhecido pelas praias de areia branca às margens do Rio Tapajós, mas a relação entre turismo e meio ambiente vai muito além da paisagem. A região reúne floresta, rios, igarapés e comunidades ribeirinhas que dependem diretamente da conservação dos recursos naturais.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O território muda ao longo do ano conforme o nível das águas. Entre agosto e dezembro, durante a estiagem, os rios baixam e revelam extensas faixas de areia, ampliando o acesso às praias, trilhas e passeios fluviais.

Já entre janeiro e julho, com a cheia, parte dessas praias desaparece e a água avança sobre áreas da floresta. Nesse período, igapós e igarapés passam a integrar os roteiros e permitem conhecer de perto a dinâmica natural da Amazônia.

A alternância entre cheia e seca é parte fundamental do equilíbrio ambiental da região e influencia a fauna, a vegetação, a pesca, o transporte e a rotina das comunidades.

Turismo conectado à floresta

Entre as experiências oferecidas na região estão trilhas na Floresta Nacional do Tapajós, visita a uma samaúma centenária, navegação por igarapés, canoagem em áreas de floresta alagada e observação de animais e aves.

Também fazem parte dos roteiros o Canal do Jari, o Encontro das Águas e áreas onde existe possibilidade de avistamento de botos.

SESC PICASSO

Essas atividades aproximam os visitantes dos ecossistemas amazônicos e ajudam a transformar a conservação ambiental em parte da própria experiência turística.

Quando conduzido de forma planejada, o turismo de natureza também pode gerar renda sem depender da retirada de vegetação ou da exploração predatória dos recursos naturais.

Comunidades ajudam a preservar conhecimentos tradicionais

A sustentabilidade da região está diretamente ligada às comunidades que vivem no território.

Em localidades como Maguari e Jamaraquá, moradores participam de atividades relacionadas ao turismo, alimentação, artesanato e transmissão de conhecimentos tradicionais.

Oficinas de produção de farinha, uso de ervas medicinais, artesanato, seringa e borracha mostram práticas mantidas ao longo de gerações.

A chamada farinhada, por exemplo, apresenta aos visitantes o processo tradicional de transformação da mandioca em farinha, enquanto outras atividades combinam manifestações culturais, culinária e contato com o ambiente natural.

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Na comunidade de Maguari, Dona Nira participa da produção de biojoias, da preparação de alimentos e de atividades culturais realizadas com visitantes.

Ao compartilhar conhecimentos sobre plantas, alimentação e artesanato, moradores transformam saberes tradicionais em uma atividade econômica ligada à manutenção da cultura local e da própria floresta.

Turismo sustentável gera renda local

Desde 2018, iniciativas de turismo sustentável atuam em parceria com comunidades da região para organizar roteiros e capacitar moradores envolvidos nas atividades.

A proposta é fazer com que parte dos recursos gerados pelo turismo permaneça no próprio território.

Em 2025, segundo dados apresentados pela Vivalá em seu relatório de impacto, 13 operações realizadas em Alter do Chão levaram 174 viajantes à região e movimentaram mais de R$ 149 mil na economia local.

As atividades envolveram diretamente 116 moradores e familiares.

A organização informa ainda que sua área de atuação apoiada em ações relacionadas à conservação alcançou 19.388 hectares.

Além do impacto econômico direto, a presença de moradores na organização dos roteiros contribui para que práticas culturais e ambientais não sejam tratadas apenas como atrações turísticas, mas como parte da identidade e da preservação do território.

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Ciclo das águas exige turismo responsável

O crescimento do turismo em Alter do Chão também amplia a necessidade de cuidado ambiental.

Áreas de floresta, praias fluviais, igarapés e comunidades tradicionais são ambientes sensíveis à pressão provocada por resíduos, ocupação irregular, circulação excessiva de embarcações e exploração desordenada.

Por isso, atividades turísticas desenvolvidas com participação comunitária, respeito aos ciclos naturais e orientação ambiental ganham importância para conciliar geração de renda e conservação.

O desafio é permitir que a região continue recebendo visitantes sem comprometer os ecossistemas que tornam Alter do Chão um dos destinos mais singulares da Amazônia.

Mais do que cenário para o turismo, rios e florestas sustentam a biodiversidade, a economia e o modo de vida das populações locais.

Preservar esse patrimônio é essencial para que as praias, os igarapés, a floresta e os conhecimentos tradicionais continuem fazendo parte da paisagem e da vida das próximas gerações.

Fonte: informações da Vivalá e de comunidades participantes dos roteiros de turismo sustentável em Alter do Chão

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