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Economia

Alta do dólar pode frear consumo de beleza em 2025, diz Boticário

FolhaPress 13/12/2024 13:41

CAMAÇARI, BA (FOLHAPRESS) - O Grupo Boticário -dono de marcas como O Boticário, Vult, Eudora e Quem Disse Berenice?- planeja chegar a 2028 com vendas brutas de R$ 50 bilhões, o que representaria um salto de 35% sobre os R$ 36,9 bilhões que o conglomerado deve faturar este ano.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Mas o horizonte parece um pouco nebuloso em 2025. "Se o preço do dólar se mantiver no patamar de R$ 6, vamos repassar para os produtos e as vendas podem desacelerar", disse à Folha o vice-presidente de operações do Grupo Boticário, Sérgio Sampaio.

Segundo ele, cerca de 30% dos insumos usados pelo grupo são importados. "O mercado como um todo deve sair de um patamar de 16% de crescimento ao ano para 12%."

A perfumaria, principal negócio do grupo, também é a maior categoria dentro do mercado de beleza e cuidados pessoais, que deve faturar R$ 171 bilhões no Brasil este ano, segundo a consultoria Euromonitor International. Desse total, R$ 43 bilhões, o que equivalente a 25%, vêm da perfumaria, um negócio que não parou de crescer nem mesmo na pandemia.

Segundo Mariana Teixeira, consultora de pesquisa na Euromonitor, a categoria de perfumes é "bem madura" e avançou em "um ritmo de duplo dígito nos últimos dois anos".

SESC PICASSO

Duas vertentes vêm puxando essa alta, segundo ela: os itens de preço mais baixo -como os "body splashs" e os "dupes" (alternativas baratas que imitam marcas caras)-, e os produtos intermediários, chamados de "mastige" (mistura de produtos de massa e prestigiados).

'GERAÇÃO Z CONSOME 30% MAIS PRODUTOS DE BELEZA'

Os perfumes acima de R$ 150 do Boticário, que vêm puxando as vendas do grupo, estão na categoria "mastige". "São produtos que trazem um apelo aspiracional e de qualidade, sem grandes incrementos de valor", diz Mariana. Nesse sentido, diz ela, as marcas nacionais têm conseguido estabelecer um ambiente de competição com as marcas de entrada do mercado premium.

CONTADOR - BONUS

Outro fator vêm puxando as vendas da categoria, que deve fechar 2024 com crescimento de 9%: o consumidor deixou de ter um só perfume para chamar de seu. "Uma parcela maior da população vem ampliando as ocasiões de uso, com a compra de versões mais leves para o dia e uma mais intensa para a noite."

Sampaio concorda. "As pessoas estão usando três perfumes ao mesmo tempo, um para o dia, outro para a noite, e um terceiro para ocasiões especiais", afirma.

Essa tendência tem sido ainda maior na geração Z (nascidos entre 1995 e 2010). "Eles apresentam um comportamento maior de autocuidado, com uma necessidade maior de novidades. Consomem cerca de 30% mais produtos de beleza do que as gerações anteriores."

A repórter viajou a convite do Grupo Boticário

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