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Política

Aliança PDT-PSB fragiliza com impactos para João Campos, Cid Gomes e Raquel Lyra

FolhaPress 17/01/2024 09:13

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - O PDT mandou sinais ao PSB de que poderá romper a aliança entre os dois partidos no Recife caso não receba apoio em troca na disputa em Fortaleza. As duas cidades estão entre os três maiores colégios eleitorais do Nordeste.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Enquanto a prioridade nacional dos pedetistas é reeleger o prefeito Sarto na capital cearense, a legenda pessebista almeja a renovação do mandato de João Campos no Recife.

A atual vice-prefeita do Recife é Isabella de Roldão (PDT). Inicialmente, o partido mandou sinais de que desejava manter o posto, mas as chances são diminutas. Isso porque o PSB não vê o PDT com a mesma força para emplacar a vice na chapa da tentativa de reeleição de João Campos.

A vaga é disputada pelo PT, partido do presidente Lula, mas esbarra em resistências de João Campos, que quer emplacar um nome do próprio PSB e ter um vice de confiança.

A cobiça pela vice no Recife está mais intensa que o habitual porque o prefeito poderá ser candidato a governador em 2026, se a governadora Raquel Lyra (PSDB) estiver em um cenário adverso e de impopularidade.

Entre os nomes cotados pelo PT estão o deputado federal Carlos Veras e o médico Mozart Sales, auxiliar de Alexandre Padilha no Ministério das Relações Institucionais do governo federal. Pelo PSB, os mais cotados são o presidente da Câmara Municipal, Romerinho Jatobá, e o ex-prefeito Geraldo Julio.

Com a vaga entre PT e PSB, as relações do PSB e do PDT no Recife ficaram fragilizadas. "Estamos no começo do ano e muitas pessoas já estão pensando em 2026. Temos que focar no trabalho deste ano, que será muito intenso. O foco de 2024 é pensar em 2024 e no trabalho que estamos desenvolvendo nos últimos três anos", diz a vice-prefeita Isabella de Roldão.

SESC PICASSO

Para piorar a situação, a cúpula do PDT está chateada com a ausência de reciprocidade em Fortaleza.

O atual prefeito Sarto enfrenta dificuldades em manter alianças em meio à perda de espaço do PDT no Ceará, após o rompimento e derrota para o PT nas eleições de 2022 e a briga, desde o segundo semestre de 2023, entre os irmãos Ciro e Cid Gomes.

O senador Cid Gomes está de saída do PDT e acertou a filiação ao PSB, que deve acontecer até o início de fevereiro. Além da chegada de Cid, outro fator que irrita o PDT é que o PSB cearense é presidido por Eudoro Santana, pai do ministro da Educação e senador licenciado Camilo Santana (PT). Já o PDT retornou às mãos do grupo do deputado federal André Figueiredo, ligado a Ciro Gomes, após a saída de Cid da presidência.

A expectativa é que, junto com Cid, mais de 30 prefeitos se filiem ao PSB, deixando o PDT, além de vereadores e, futuramente, deputados federais e estaduais.

Em Fortaleza, a tendência é que o PSB esteja no palanque da candidatura do PT. O nome petista na disputa municipal deve ficar entre o presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão, recém-filiado ao partido de Lula, e a deputada federal Luizianne Lins.

Evandro Leitão é o candidato a prefeito de Camilo e do governador Elmano de Freitas (PT) e é tido como o mais cotado para a disputa. Além das candidaturas de PT e PDT, figuram como candidatos competitivos o deputado federal André Fernandes (PL) e o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil), derrotado em 2016 e 2020 no segundo turno para prefeito e candidato a governador mais votado na capital em 2022.

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Em visita a Fortaleza na sexta (12), Carlos Lupi disse confiar que Sarto pode ser reeleito no primeiro turno e ratificou a capital cearense como prioridade para o PDT nacionalmente. "Fortaleza é a mais importante cidade que o PDT administra e vai ser a mais importante que nós vamos apoiar em termos não só de investimentos do fundo eleitoral, mas de prestígio político."

O ex-deputado federal Wolney Queiroz, atual secretário-executivo do Ministério da Previdência, afirma que a situação no Ceará coloca em risco a aliança no Recife. "Não tem nenhum problema nosso com o PSB, e João nos prestigia politicamente. Ocorre que Recife não é uma ilha e os acontecimentos do PDT Nacional terminam tendo efeito colateral no Recife."

Em retaliação, o PDT cogita uma aliança com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), que já fez propostas para aliança a Lupi. O partido poderá atrair o deputado federal Túlio Gadêlha (Rede) para disputar a Prefeitura do Recife, se o parlamentar obtiver uma carta de anuência com a liberação por parte da federação Rede/PSOL, o que é considerado difícil pelos próprios aliados do parlamentar.

Túlio já foi filiado ao PDT até 2022 e agora reabriu diálogos com o PDT, por meio do ministro da Previdência, Carlos Lupi, com quem estava rompido desde 2020, quando o PDT barrou a candidatura a prefeito dele no Recife.

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Lupi externou a interlocutores nos últimos dias que o PDT caminha para uma aliança com Raquel Lyra não apenas em 2024, mas também em 2026, nas eleições estaduais. O ministro alegou a aliados que partiu do próprio PSB ter outras prioridades de composição, inclusive sem ter a preferência para manter com o PDT a vaga de vice.

No dia 8 de janeiro, a vice-prefeita do Recife, Isabella de Roldão, foi ao gabinete de Lupi na Esplanada dos Ministérios junto com Raquel Lyra. Além disso, os três posaram juntos para foto. A imagem irritou o PSB, que viu o ato como falta de cortesia de Isabella, que estava no exercício do cargo de prefeita enquanto João Campos estava de férias, e tirou foto ao lado de Raquel Lyra, a quem o PSB faz oposição em Pernambuco.

Raquel Lyra articula para haver múltiplas candidaturas de oposição a João Campos no Recife. Além de Túlio Gadêlha, a gestora defende nos bastidores que o secretário de Turismo de Pernambuco, Daniel Coelho (Cidadania), seja postulante. A palavra de ordem no entorno da governadora é tentar levar a eleição ao segundo turno no Recife, o que já configuraria uma derrota política a João Campos, tido como favorito para ser reeleito no primeiro turno.

O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) afirma que o imbróglio em Fortaleza é um problema do PDT, mas reconhece que as composições entre os partidos serão discutidas levando em conta o cenário em outras capitais e cidades.

"É impossível que sejam discussões isoladas, vão ser feitas no contexto nacional. O PDT tem um problema que é do próprio PDT, que é essa divisão do grupo cearense, e isso é uma questão que eles devem tratar, nada tem relação com o PSB", diz.

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