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Política

Aliança entre bolsonaristas e trumpistas preocupa, mas não surpreende, diz deputado americano

FolhaPress 03/05/2024 07:39

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A aproximação entre aliados dos ex-presidentes Jair Bolsonaro (PL) e Donald Trump nos Congressos brasileiro e americano gera preocupação, mas não surpreende, afirmou o deputado Jamie Raskin, um dos integrantes da comissão que investigou a invasão do Capitólio e líder da acusação no segundo processo de impeachment contra o empresário.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O democrata participou nesta quinta-feira (2) de uma reunião com uma comitiva brasileira liderada pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que foi relatora da CPI do 8 de janeiro. O objetivo do encontro foi trocar experiências sobre a resposta dada por cada país aos ataques à democracia que sofreram e unir esforços para evitar que episódios do tipo se repitam.

A visita, que vinha sendo organizada desde o final do ano passado, acontece na semana em que republicanos conseguiram ressuscitar uma audiência no Congresso articulada com bolsonaristas sobre uma suposta perseguição e censura no Brasil atual.

Inicialmente marcado para março na Comissão de Direitos Humanos, o evento foi barrado por democratas. Agora, vai ocorrer na terça (7) em um subcomitê da Comissão de Relações Exteriores presidido pelo republicano Chris Smith, com quem Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teve reuniões em Washington junto com aliados do Congresso.

SESC PICASSO

Pela manhã, a comitiva liderada por Eliziane se encontrou com assessores da deputada Susan Wild, a principal democrata no subcomitê que fará a audiência. Segundo o deputado Rogério Correia (PT-MG), o objetivo foi subsidiar os americanos de informações para rebater a narrativa bolsonarista.

"O que vai acontecer aqui semana que vem é apenas uma encenação, uma reunião fake de alguns republicanos com bolsonaristas. É claro que esta reunião contará com os democratas que vão dizer a verdade, que Bolsonaro tentou dar um golpe no Brasil e é por isso que ele está inelegível e provavelmente será preso", afirmou.

Correia e o senador Humberto Costa (PT-PE), que também integra a comitiva, devem fazer mais uma reunião com democratas antes da audiência no dia 7.

Até agora, foram anunciadas três testemunhas na audiência: o ativista e jornalista americano Michael Shellenberger, que divulgou os arquivos do Twitter relacionados ao Brasil, o CEO da rede conservadora Rumble, Chris Pavlovski, e o ativista brasileiro Paulo Figueiredo Filho, alinhado ao bolsonarismo.

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Um quarto nome, indicado pela minoria democrata do subcomitê, ainda deve ser anunciado. Uma rede de organizações brasileiras em Washington discute uma sugestão.

Questionado pela Folha de S.Paulo sobre a audiência, Raskin respondeu que "no manual autoritário em todo o mundo, uma das estratégias-chave dos aspirantes a autocratas e ditadores é se fazerem de vítimas".

Apesar das semelhanças na história recente dos dois países, o democrata apontou que o Brasil tipifica o crime de golpe de Estado. "Não temos [nos EUA] um crime específico para isso. Os crimes pelos quais o ex-presidente Donald Trump foi acusado são variados", afirma ele.

No processo criminal que trata da invasão ao Congresso em 6 de janeiro de 2021, o republicano foi acusado de conspirar contra os EUA e contra direitos, mas não há uma denúncia específica sobre golpe de Estado.

"Uma coisa que poderíamos considerar é tipificar um crime muito específico para acusar as pessoas no que se refere à tentativa de derrubar o Estado democrático de Direito", afirmou Raskin.

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O democrata recebeu uma cópia do relatório da CPI do 8 de Janeiro. O deputado Rafael Brito (MDB-AL) afirmou que o americano chegou a usar a palavra "inveja" ao se referir ao processo brasileiro.

Nos EUA, Trump sobreviveu a dois processos de impeachment. Além disso, embora seja alvo de quatro processos criminais, apenas um deve ser concluído antes da eleição de novembro --o que é apontado como o mais leve de todos, em que ele é acusado de fraudar registros empresariais para encobrir pagamentos à atriz pornô Stormy Daniels durante a campanha de 2016.

E mesmo que Trump seja condenado, a legislação americana não impede que ele concorra à Presidência. Na média das pesquisas de intenção de voto, ele lidera a corrida contra Joe Biden por uma margem apertada.

A articulação para a visita da comitiva aos EUA vinha sendo feita desde o final do ano passado pelo Instituto Vladimir Herzog, que organiza a viagem, motivada pela ideia de trocar experiências tendo em vista os desafios semelhantes à democracia em ambos os países.

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