Deputados apontam falhas na gestão da água e cobram avanços na recuperação ambiental após desastre
A crise hídrica e os impactos ambientais no Espírito Santo foram temas de debate na Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa (Ales), em sessão que marcou o Dia Internacional da Água, celebrado no último domingo (22).
A discussão foi conduzida pela deputada Iriny Lopes (PT), que chamou atenção para problemas relacionados ao acesso à água e à gestão dos recursos hídricos no estado. “Não há nada a comemorar no quesito ‘águas’, pelo menos aqui no estado”, afirmou.
Entre os pontos levantados está a distribuição do recurso, com críticas à destinação de água para atividades industriais enquanto moradores de áreas periféricas enfrentam dificuldades de abastecimento. A deputada também mencionou impactos ambientais associados à extração de rochas, especialmente na região noroeste, onde partículas geradas pelo processo podem afetar rios e nascentes.
Outro eixo do debate foi a situação do Rio Doce, mais de uma década após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Segundo a parlamentar, ainda há lacunas no processo de recuperação ambiental.
Apesar da existência de acordos entre governos e empresas, com previsão de investimentos bilionários, a avaliação apresentada é de que falta uma política específica voltada exclusivamente para a recuperação do rio. “O Rio Doce é fundamental para todo o ecossistema. Precisaria de mais investimento, mais cuidado e uma participação mais efetiva dos entes envolvidos”, disse.
Como encaminhamento, a comissão indicou a realização de novos debates ao longo do ano sobre recursos hídricos, incluindo temas como a Bacia do Rio Doce, qualidade da água e saneamento básico.
Também foi proposta a análise de iniciativas sustentáveis, como experiências de recuperação hídrica desenvolvidas na região do Caparaó. A sugestão foi acolhida pela presidência do colegiado.