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Política

Aldo foi colega de futebol de Bolsonaro e selou reaproximação com defesa na trama golpista

FolhaPress 23/05/2025 18:58

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com trajetória ligada à esquerda, o ex-ministro Aldo Rebelo, 69, surpreendeu alguns nos últimos anos com sua aproximação ao bolsonarismo, mas não os que o acompanharam de perto na Câmara dos Deputados.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Colega de Jair Bolsonaro no Legislativo por duas décadas, Aldo jogava com ele futebol nos amistosos à época -eram uma "dupla de defesa", segundo disse à revista Piauí-, e os dois viajaram "muitas vezes" à Amazônia pela Comissão de Relações Exteriores, como disse o ex-parlamentar ao veículo.

"A gente subia nos barcos da Marinha e dormia nos beliches", descreveu na ocasião Aldo, ameaçado de prisão pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes em depoimento sobre a trama golpista de 2022 nesta sexta-feira (23).

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O posicionamento em relação à Amazônia, especialmente os ataques à atuação de ONGs e ambientalistas na região sob justificativa de preservar a soberania, era justamente um dos temas que aproximavam os dois colegas de Parlamento, ainda que em diferentes espectros políticos --Bolsonaro sempre à direita e Aldo, ex-militante contra a ditadura, pelo PC do B, partido ao qual foi filiado por cerca de 40 anos.

Outras afinidades entre os dois eram o apreço por militares e o tom patriótico adotado nos discursos.

Não à toa, o agora ex-presidente, então deputado do baixo clero, chegou a ir à Granja do Torto em 2002 para pedir a indicação do então colega como ministro da Defesa de Lula.

"Vim tentar um espacinho na agenda do Lula para desmentir essa história de que o Aldo tem restrições nas Forças Armadas. Pelo contrário, é uma pessoa que entende do assunto e tem grande respeito", disse Bolsonaro.

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Ele afirmou ainda na ocasião não ser estranho um representante histórico da direita trabalhar em favor de um esquerdista. "As coisas mudaram. Hoje, comunista toma uísque, mora bem e vai na piscina."

Bolsonaro não foi recebido por Lula. Mas, com boas relações entre os militares, Aldo se tornou ministro da Defesa no governo de Dilma Rousseff (PT), em 2015 e 2016. Ele já havia sido ministro de Relações Institucionais e do Esporte anteriormente, sempre em gestões petistas. Deixou a Esplanada com o impeachment da presidente, do qual foi um forte crítico.

O distanciamento do ex-ministro em relação à esquerda ganhou repercussão em 2024, quando ele foi nomeado para ser secretário de Relações Internacionais do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o candidato de Bolsonaro na eleição municipal de São Paulo.

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A escolha para o cargo foi elogiada por bolsonaristas como Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social de Bolsonaro.

Um dia antes de a escolha ter sido selada, o ex-presidente publicou trecho de entrevista em que Aldo, então no PDT, dizia que não se pode "atribuir nenhum tipo de seriedade" à tentativa de golpe bolsonarista que está no alvo do STF (Supremo Tribunal Federal).

À Folha aliados do ex-ministro do governo Dilma afirmaram que ele seguiu defendendo as mesmas bandeiras da sua juventude: nacionalismo, democracia e direitos sociais. A agenda da esquerda é que teria mudado, se deslocando em direção ao identitarismo.

No mesmo ano de 2024, Bolsonaro foi ao lançamento de um livro de Aldo sobre a Amazônia e, em uma entrevista, referiu-se ao ex-deputado comunista como um "cara fantástico".

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