Governo prepara medidas de crédito, busca novos mercados e mantém diálogo com setores atingidos pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a aplicação da Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro.
Segundo Alckmin, a resposta do país não seguirá uma lógica de confronto. Para ele, a reciprocidade deve ser utilizada de forma institucional, respeitando os procedimentos previstos na legislação, como consultas e audiências públicas.
A declaração foi dada após uma reunião com representantes de setores afetados pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo de Donald Trump sobre parte dos produtos brasileiros.
A medida deve atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões.
Resposta terá três frentes
O governo estruturou o pacote de apoio aos exportadores em três eixos: assistência financeira às empresas afetadas, abertura de novos mercados e diálogo permanente com o setor produtivo para calcular os impactos da medida.
Entre as propostas em análise está a oferta de crédito pelo programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos.
A equipe econômica também estuda flexibilizar temporariamente as regras do drawback, mecanismo que concede suspensão, isenção ou restituição de tributos sobre insumos utilizados na produção de mercadorias destinadas à exportação.
A mudança poderá ampliar o prazo para que empresas que perderem espaço no mercado norte-americano cumpram seus compromissos de exportação sem perder os benefícios tributários.
Outra possibilidade é ajustar as exigências relacionadas à manutenção de empregos para setores que receberem apoio emergencial.
Governo promete socorrer empresas
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo adotará medidas para reduzir os prejuízos provocados pelas tarifas.
Segundo ele, mesmo considerando a cobrança injusta e indevida, o Executivo precisa proteger as empresas e os trabalhadores dos segmentos mais expostos.
O pacote deverá ser concluído após uma rodada de reuniões com representantes das indústrias de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados.
Busca por novos mercados
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos deverá intensificar as ações para ampliar a presença dos produtos nacionais em outros países.
Entre os mercados considerados prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático.
O governo também pretende acelerar os acordos comerciais do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.
A estratégia busca reduzir a dependência do mercado norte-americano, principalmente para os setores industriais de maior valor agregado.
Setores mais expostos
Entre os segmentos que podem sofrer os maiores impactos estão:
Eletroeletrônicos
Máquinas e equipamentos
Autopeças
Calçados
Outros produtos industrializados
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e recebem cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.
Risco de tarifa chegar a 37,5%
O governo brasileiro também acompanha a possibilidade de aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5%, relacionada a acusações norte-americanas sobre produtos fabricados com trabalho forçado.
Caso a cobrança seja acumulada com a tarifa de 25%, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma alíquota total de 37,5%.
Uma definição do governo dos Estados Unidos sobre a cobrança adicional é esperada para sexta-feira (24).
O Executivo brasileiro também prepara uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para fabricantes de máquinas e equipamentos.
Fonte: Agência Brasil