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Economia

Votação da LDO é adiada para governo negociar eventuais ajustes após queda de MP dos impostos

FolhaPress 14/10/2025 12:31

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A CMO (Comissão Mista de Orçamento) adiou para quarta-feira (15) a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negociar eventuais ajustes após a derrubada da MP (medida provisória) dos impostos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A votação estava prevista para esta terça-feira (14), mas, segundo o presidente do colegiado, senador Efraim Filho (União Brasil-PB), a equipe econômica pediu tempo para avaliar se envia ou não algum pedido de ajuste no texto, dada a frustração nas receitas e também na economia de despesas.

"Amanhecemos hoje com diálogo entre o ministro Fernando Haddad, que está no Senado, na CAE [Comissão de Assuntos Econômicos], tratando do projeto do Imposto de Renda [...], e o senador Davi [Alcolumbre, presidente do Senado] me disse que recebeu um pedido do ministro para que, após essa reunião, eles dialogassem para saber se o governo deverá encaminhar ou não alguma alteração na LDO", disse.

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A partir da sinalização do governo, Alcolumbre pediu o adiamento da votação na CMO, mas mantendo a previsão de apreciar a proposta na sessão do Congresso Nacional convocada para quinta-feira (16).

Efraim alertou que não votar o Orçamento ainda este ano seria um prejuízo para todos e defendeu que a LDO seja validada logo para garantir um tempo viável para a discussão da LOA (Lei Orçamentária Anual) até o fim do ano.

A LDO é a lei que fixa a meta de resultado primário a ser perseguida pela equipe econômica durante o exercício. Ela indica o saldo entre receitas e despesas do governo, descontado o serviço da dívida pública.

Para 2026, a meta oficial é um superávit de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a um saldo positivo de R$ 34,3 bilhões. No entanto, o resultado efetivo das contas ainda será negativo em até R$ 23,3 bilhões devido a despesas fora da meta, como parte das sentenças judiciais, conforme decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

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Para alcançar esse objetivo, o governo encaminhou uma série de propostas, como a MP 1.303, de aumento de impostos, e o projeto de lei complementar que prevê um corte de 10% em benefícios tributários.

O governo esperava arrecadar R$ 20,9 bilhões no ano que vem com a MP dos impostos, além de poupar R$ 15 bilhões em despesas obrigatórias com ações de ajuste previstas no texto, mas a medida foi derrubada pela Câmara dos Deputados. Já o projeto dos benefícios fiscais pode render até R$ 19,8 bilhões em 2026, mas sua aprovação é incerta.

Durante a sessão da CMO, Efraim criticou a estratégia do governo de ampliar a arrecadação para cumprir a meta fiscal.

"Se o governo teve a frustração da MP, é importante o governo saber que foi no voto, não foi por imposição de ninguém. É um desejo do Congresso, que representa a sociedade, de dar um recado claro: não se aguenta mais agenda de aumento de alíquotas, aumento de impostos para arrecadar, arrecadar e arrecadar. Equilíbrio fiscal também se faz pelo lado da despesa, e o governo parece ter se esquecido disso", disse.

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Segundo técnicos do governo, há pressão da classe política pela flexibilização da meta fiscal em 2026, ano eleitoral. Haddad, porém, já disse que os alvos fixados serão mantidos. O que o Executivo articula agora são medidas de compensação.

Na avaliação da área econômica, o Congresso não age de forma coerente ao cobrar redução de gastos, pois os deputados derrubaram a MP que poderia economizar R$ 15 bilhões em despesas no ano que vem, um dia após aprovar uma contrarreforma da Previdência por meio de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que afrouxa as regras de aposentadoria para agentes de saúde. Classificada de bomba fiscal por técnicos do governo, a medida tem potencial para causar rombo bilionário nas contas da União.

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