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Vice de Trump chama chineses de 'camponeses', e Pequim diz que fala é 'ignorante e desrespeitosa'

FolhaPress 08/04/2025 17:59

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao defender as tarifas globais de Donald Trump, o vice-presidente dos Estados Unidos J.D. Vance criticou o modelo econômico americano por, segundo ele, prejudicar seus próprios trabalhadores. Ele se referiu aos chineses como "camponeses".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Pedimos dinheiro emprestado aos camponeses chineses para comprar as coisas que esses camponeses chineses fabricam", afirmou Vance durante uma entrevista à Fox News na semana passada.

Pequim rebateu a retórica de Vance nesta terça-feira (8), dizendo que as falas são "ignorantes e desrespeitosas". "A posição da China sobre as relações econômicas e comerciais sino-americanas foi deixada muito clara", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, durante entrevista coletiva. "É surpreendente e triste ouvir o vice-presidente dizer palavras tão ignorantes e desrespeitosas."

A China tem se mantido firme diante do tarifaço de Trump, que atingem o país asiático de forma mais dura.

Nesta terça, a Casa Branca confirmou sua promessa de retaliar a China e anunciou uma nova tarifa de 50% em cima das taxas já impostas anteriormente ao país asiático. Com isso, os produtos chineses podem receber uma tarifa de até 104% para entrarem nos EUA.

Karoline Leavitt, porta-voz do presidente Donald Trump, afirmou que a sobretaxa entra em vigor a partir da 0h01 desta quarta-feira (9), mas o republicano acredita que Pequim quer fazer um acordo.

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Segundo Leavitt, "se a China se manifestar, ele [Trump] será cordial, mas vai fazer o que for melhor ao povo americano".

O Ministério do Comércio da China acusou os Estados Unidos de "chantagem" na terça-feira e afirmou que Pequim "lutaria até o fim".

Durante a entrevista, Vance questionou ainda o que os EUA ganham com uma "economia globalista".

Respondendo à sua própria pergunta, ele disse que o país estava "incorrendo em uma enorme quantidade de dívida para comprar coisas que outros países fabricam" para seu mercado.

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As novas políticas de Trump, condenadas por muitos líderes internacionais, causaram estragos nos mercados financeiros e levaram especialistas a emitir alertas sobre inflação.

O dólar disparou 1,43% nesta terça-feira (8) e voltou a ser negociado a R$ 6 pela primeira vez desde o começo do ano.

Em Wall Street, os índices acionários -que marcaram mais de 3% de alta antes da confirmação da Casa Branca- derreteram mais uma vez. O S&P500 perdeu 2,73%, o Nasdaq Composite, 2,15%, e o Dow Jones, 0,84%.

A crescente guerra comercial entre os dois países deve ser custosa para os americanos, que no ano passado compraram US$ 440 bilhões em produtos da China, tornando o país a segunda maior fonte de importações, depois do México.

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