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Economia

Vale a pena comprar um gerador para dias de apagão? Entenda como o aparelho funciona

FolhaPress 17/12/2023 14:22

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ficar sem energia elétrica virou o novo pesadelo dos paulistanos. Os últimos apagões na cidade, em novembro, deixaram milhões de pessoas no escuro -em alguns casos, por mais de uma semana- e causaram prejuízos para toda sorte de estabelecimentos, de comércios a escolas municipais.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Para o cidadão comum, o trauma mexeu também com a lista de desejos de consumo, e geradores de energia elétrica viraram a bola da vez. O aparelho foi o terceiro termo mais clicado na categoria Casa e Construção do Google Trends, segundo pesquisa divulgada às vésperas da Black Friday, no final do mês passado.

Os geradores residenciais transformam a queima de combustíveis, em geral diesel e gasolina, em energia elétrica. São ideais para apagões e espaços de rede de distribuição escassa, como sítios, acampamentos e lugares remotos. Além disso, funcionam só quando a rede de energia tradicional é suspensa, o que impede gastos desnecessários.

Mas é um investimento alto: os aparelhos vão de R$ 600 a mais de R$ 90.000, a depender da marca, potência elétrica, combustível, tempo de autonomia, emissão de ruído, motor, entre outros fatores. O preço é proporcional à capacidade de abastecimento -ou seja, quanto maior a potência, mais caro é- e opções acima de R$ 1.000 são as mais comuns.

SESC PICASSO

"Antes de tomar qualquer decisão, é importante pesar na balança. Com que frequência você vai usar o gerador? Qual a duração e a recorrência dos apagões onde você mora? Você tem alguma necessidade especial que depende da eletricidade?", diz Vanderlei Martins, professor de MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas) e especialista em planejamento energético.

"Não temos vendavais e tempestades como as vistas em novembro todos os dias. Precisa pesar se o investimento vale a necessidade."

Para se ter uma ideia, o gerador mais barato, de R$ 600, tem uma das menores potências elétricas disponíveis no mercado, a 800 W (ou 0,8 KVa). Movido a gasolina, mantém o funcionamento de alguns equipamentos, como geladeira e lâmpadas, por até três horas, a depender do que está conectado a ele. O tanque, para esse modelo mais simples, tem capacidade de até cinco litros. Isso significa que, além do valor inicial, também é preciso bancar o combustível pelas horas em que o gerador vai funcionar.

Aparelhos que funcionam a base de gasolina e diesel são os mais comuns. "Ainda que estejamos em um momento de transição energética, fontes renováveis não são viáveis pelo preço e pela escala", diz Martins. Mesmo painéis de energia solar, que abastecem baterias para momentos sem luz do Sol, não têm capacidade de armazenamento para longas horas.

CONTADOR - BONUS

Para José Aquiles, engenheiro elétrico e livre-docente na Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), as fontes renováveis ainda encontram outro empecilho: a disponibilidade. "Energia solar e eólica dependem das condições climáticas, então você não tem a garantia de que vai ter suprimento quando faltar luz", afirma.

Entre as opções disponíveis, os geradores movidos a gasolina são mais silenciosos do que os a diesel, geralmente custam menos e são menos poluentes. Por outro lado, têm potências menores e precisam de mais combustível para gerar a mesma quantidade de energia -o que encarece o abastecimento.

Já os movidos a diesel, embora mais barulhentos e poluentes, têm uma vida útil maior, custam menos na manutenção e rendem mais. Para Carlos Olinto, diretor da empresa Essencial Energia, ainda é sinônimo de mais segurança, já que a gasolina é mais inflamável. Pelas vantagens, o diesel costuma ser o mais indicado para condomínios residenciais, por exemplo, além de hospitais, indústrias e outros serviços essenciais.

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"No caso dos condomínios, se torna um custo bem menor para o consumidor, já que ele é rateado por todos os moradores e dura mais de vinte anos", diz Martins.

Caso decida por investir em um gerador residencial, se atente às dicas abaixo:

- Contrate prestadores de serviço para o momento da instalação. Embora não seja complicada, exige conhecimentos de fiação, e contatar um profissional especializado mitiga riscos de acidentes.

- Calcule qual é a potência ideal para atender ao que você precisa. Para isso, some as potências de todos os equipamentos que deseja que funcionem durante um apagão. Mas atenção: geladeiras, freezers e outros aparelhos com motores elétricos a indução consomem quatro vezes mais energia quando ligados ao gerador. Isso quer dizer que, se sua geladeira gasta 100W na rede normal, ela gastará 400W no gerador.

- Conte com uma margem de segurança para não sobrecarregar o gerador. Ou seja, se a soma dos seus equipamentos deu 1.400W, aposte em um aparelho de potência nominal maior que isso.

- Se atente à emissão de ruído para não atrapalhar vizinhos. Pela Lei do Silêncio, o barulho não deve ultrapassar 55 decibéis (dB) no período da manhã e 50 dB durante a noite. A maioria dos geradores apresenta essa informação nos detalhes técnicos.

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