Primeiro embarque com imposto zerado abre nova fase para exportações do Vale do São Francisco e amplia competitividade no mercado europeu
O Vale do São Francisco realizou o primeiro embarque de uvas frescas brasileiras para a União Europeia com tarifa de importação zerada, marcando um novo capítulo para a fruticultura nacional. A medida amplia a competitividade dos produtores brasileiros em um dos principais mercados consumidores do mundo e beneficia diretamente uma região responsável por grande parte das exportações de frutas do país.
O marco foi celebrado durante a Caravana Frutas – Do Vale para o Mundo, realizada em Petrolina (PE), reunindo produtores, representantes do setor e autoridades ligadas ao agronegócio e ao comércio exterior.
Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a retirada das tarifas abre espaço para uma expansão ainda maior das exportações brasileiras.
“O resultado está aqui. Estamos exportando diretamente do Vale do São Francisco cada vez mais uva para a Europa. Esse carregamento vai beneficiar toda a região. A Europa importa 7 trilhões de dólares; só de fora do bloco são 3 trilhões de dólares. O Mercosul importa 342 bilhões. Então é nesse mercado que nós vamos entrar sem tarifa. Alguns mais rápido, como a uva, que já é zero agora, e outros que lá para frente vão cair a tarifa. A fruticultura vai ser uma das grandes beneficiadas”, afirmou.
Muller também destacou a evolução das vendas externas do setor na última década.
“Quando começamos a parceria da ApexBrasil com a Abrafrutas em 2014, o Brasil exportava 413 milhões de dólares de frutas. Ano passado exportamos 1 bilhão e 450 milhões. Em 10 anos, nós trouxemos ao Brasil 1 bilhão de dólares a mais dessa fruticultura”, disse.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ressaltou o impacto imediato da medida para os produtores da região.
“É a luta de muita gente que acreditou que isso fosse possível. E esse acordo que vai beneficiar cerca de 5.000 itens, a grande maioria desses produtos vem do Agro. É um exemplo muito claro, até porque esse é um exemplo de algo que já acontece agora a partir do primeiro momento, está aqui nas nossas uvas que antes eram taxadas com 12% e agora terão uma taxação de zero”, afirmou.
“Isso faz diferença quando a gente sabe que 75% do que a gente exporta aqui vai para a Europa. A gente agora vai exportar sem esse ônus, com melhores condições de competitividade e com maior retorno para o produtor”, acrescentou.
Outro tema abordado durante o encontro foi a adoção de tecnologias sustentáveis para atender às exigências dos mercados internacionais. A presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, destacou o avanço dos bioinsumos na agricultura brasileira.
“O Brasil é hoje o país que mais adota bioinsumos em suas culturas, com crescimento de 21% na adoção em relação a 2024. Esse é um mercado que movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025, com crescimento de 28% da área tratada. São 194 milhões de hectares tratados com bioinsumos no Brasil e boa parte dessa área voltada para fruticultura”, destacou.
A expectativa do setor é que a combinação entre redução de tarifas e ampliação do uso de tecnologias sustentáveis fortaleça ainda mais a presença das frutas brasileiras na Europa, ampliando investimentos, geração de empregos e renda no Vale do São Francisco.
Fonte: Br61