Governo brasileiro classificou a sobretaxa como injusta e tentou alcançar um acordo na véspera do anúncio oficial de Washington
A última tentativa de negociação entre Brasil e Estados Unidos antes do anúncio da nova tarifa de 25% não conseguiu impedir a adoção da medida contra produtos brasileiros.
Representantes dos dois países participaram, na terça-feira (14), de uma reunião de alto nível com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. No encontro, o governo brasileiro voltou a considerar injustas as possíveis barreiras e defendeu uma solução negociada.
A reunião ocorreu um dia antes de o governo americano confirmar a aplicação da sobretaxa, que entrará em vigor em 22 de julho e terá exceções para determinados produtos.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, esse foi o quinto encontro entre autoridades brasileiras e americanas desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho dedicado às relações comerciais.
Participaram das negociações representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial da Presidência da República.
Durante a reunião, a delegação brasileira afirmou que as conclusões do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos não apresentavam fundamentos técnicos suficientes para justificar novas tarifas.
O Brasil questionou tanto a sobretaxa de 25% voltada especificamente aos produtos nacionais quanto uma possível tarifa adicional de 12,5% relacionada a uma investigação americana sobre o combate ao trabalho forçado, que envolve dezenas de economias.
A investigação direcionada ao Brasil foi conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Os Estados Unidos alegam que determinadas políticas brasileiras prejudicam empresas e exportadores americanos.
Entre os temas analisados estão o comércio digital, os serviços de pagamento eletrônico, as tarifas preferenciais, a proteção da propriedade intelectual, o acesso ao mercado brasileiro de etanol, o combate à corrupção e o desmatamento ilegal.
O governo brasileiro rejeita as acusações e sustenta que nenhuma dessas questões justifica a imposição de barreiras comerciais unilaterais.
Apesar da reunião, os Estados Unidos confirmaram no dia seguinte a tarifa adicional de 25%. Após o anúncio, o Brasil informou que iniciaria os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e recorreria aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.
O governo brasileiro também anunciou medidas para reduzir os prejuízos aos setores atingidos e afirmou que continuará buscando novos mercados para os produtos nacionais.
Fonte: Agência Brasil e MDIC