Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h21m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Cresce número de trabalhadores de app no Brasil

Vitória News 17/10/2025 11:27

O número de trabalhadores por aplicativo cresceu 25% no Brasil em 2024, alcançando 1,7 milhão de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O transporte de passageiros concentrou 58% desses profissionais, a maioria atuando em plataformas como Uber, 99, Rappi e iFood.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os plataformizados tiveram rendimento médio mensal de R$ 2.996 — 4,2% acima da renda dos que não trabalham por meio de apps (R$ 2.875). Apesar do ganho maior, o estudo mostra que a diferença vem diminuindo: em 2022, a vantagem era de 9,4%. Além disso, esses trabalhadores dedicam mais horas à atividade: 44,8 horas semanais, contra 39,3 horas dos demais. Na prática, o valor recebido por hora é menor — R$ 15,4, frente a R$ 16,8 dos não plataformizados.

Escolaridade e renda
A pesquisa revela que, entre trabalhadores com ensino fundamental e médio incompleto, a renda por aplicativo supera em até 50% a média nacional. Já entre os com nível superior, o cenário se inverte: os plataformizados recebem 29,8% menos (R$ 4.263) que os profissionais de mesma escolaridade fora das plataformas (R$ 6.072). Para o analista do IBGE Gustavo Fontes, o dado reflete o descompasso entre formação e ocupação. “Há engenheiros dirigindo por aplicativo porque não conseguiram vagas na área de formação”, observa.

SESC PICASSO

A informalidade entre trabalhadores de aplicativo chega a 71,7%, contra 43,8% entre os demais. Apenas 35,9% dos plataformizados contribuem para a Previdência, enquanto entre os não plataformizados o índice é de 61,9%.

Motoristas e motociclistas
Entre motoristas, 43,8% atuam por aplicativo — cerca de 824 mil pessoas. A renda média é de R$ 2.766, superando em R$ 341 a dos motoristas tradicionais. No entanto, eles trabalham cinco horas a mais por semana e apresentam menor contribuição previdenciária (25,7%) e maior informalidade (83,6%).
No caso dos motociclistas, 33,5% trabalham com apps — um salto em relação aos 21,9% registrados em 2022. Eles recebem R$ 2.119 por mês, 28,2% a mais que os não plataformizados, mas com jornadas mais longas (45,2 horas semanais) e alta informalidade (84,3%).

A discussão sobre o reconhecimento de vínculo entre motoristas e plataformas está no Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento deve ser retomado em novembro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu parecer contrário à criação do vínculo, posição contestada por entidades de trabalhadores que alegam precarização das relações de trabalho.

Compartilhe esta notícia
Anuncio - Raimundo - Bonus CONTADOR - BONUS

Notícias Relacionadas