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Economia

'Tem fogo amigo, inimigo, tem para todo gosto', diz Haddad

FolhaPress 06/02/2025 09:54

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, admitiu nesta quarta-feira (5), em entrevista à jornalista Miriam Leitão (GloboNews), que é alvo de fogo amigo no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Tem fogo amigo, fogo inimigo, aqui tem fogo para todo gosto", disse. "Tenho um discurso coerente desde dezembro de 2022. Estou perseguindo os mesmos objetivos, com a mesma tenacidade e com a mesma certeza de que o Brasil pode melhorar muito e sair dessa armadilha em que entramos dez anos atrás".

Haddad não citou nomes, mas, nos bastidores, auxiliares de Lula citam atritos entre o titular da Fazenda e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Além disso, a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), e integrantes do partido já fizeram críticas públicas à política fiscal conduzida pela Fazenda.

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O ministro citou Lula para responder às críticas do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que o chamou de fraco e afirmou que ele tem dificuldade em comandar.

"Quem tem que dar resposta sobre isso é o presidente da República, que já deu no dia seguinte e falou: olha, uma pessoa que faz o Brasil crescer 7% ao ano, com a menor taxa de desemprego, aprova uma reforma tributária, as contas públicas, um marco fiscal".

Para o ministro, armadilhas econômicas e políticas atrapalharam o país nos últimos dez anos por causa de conflitos que se estabeleceram. "O país se desorganizou completamente".

Ele citou conversa recente com o novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para defender que a política econômica seja uma política de Estado no Brasil.

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"Perdemos essa consciência. Precisamos corrigir esses dez anos, botar as coisas em perspectiva e voltar a falar em desenvolvimento sustentável", disse. "Para isso não pode ter privilégio, pauta bomba, amigos do rei".

Haddad admitiu ter períodos de cansaço no comando da economia, porém, garantiu estar disposto a manter o compromisso com o presidente da República no comando da Fazenda até o final do governo. "Estou há 30 anos com o presidente da República".

Segundo ele, nessas três décadas houve momentos mais difíceis. "Já vivi tempos muito turbulentos. De 2013 a 2022 foi uma década muito turbulenta no Brasil, sobretudo para a centro-esquerda. E, nos momentos mais decisivos, eu estava no olho do furacão".

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O ministro voltou a afirmar que não disputará nenhum cargo em 2026 e acredita que a gestão do orçamento federal será trabalhosa até o último dia. Haddad definiu essa atuação como árdua e dura. "Ficar botando ordem nas coisas, na rubrica A ,B, C, é super extenuante. E acredito que esse trabalho não vai ser concluído rapidamente".

Em reunião com Motta e líderes partidários nesta quarta, Haddad apresentou 25 propostas da pasta para os próximos dois anos. O presidente da Câmara elogiou o trabalho do ministro.

Um dos pontos da conversa foi a adoção de medidas para combater os supersalários no setor público. Na próxima semana, o titular da Fazenda vai participar de um encontro com senadores para debater o assunto. Ele disse na entrevista a Miriam Leitão que já conversou sobre o tema com a cúpula do STF (Supremo Tribunal Federal) e que há um entendimento sobre a necessidade de ajustes.

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