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Telecoms pedem que governo prorrogue isenção para internet via satélite de antena pequena

FolhaPress 13/05/2025 17:20

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O setor de telecomunicações pede que o governo federal estenda o regime de isenção tributária para conexão via satélite com antenas de pequeno porte e para dispositivos de internet das coisas (IoT), que tem expiração prevista por lei no fim deste ano.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A medida beneficiaria provedores com constelações satelitais em baixa órbita como a Starlink e a OneWeb, além dos tradicionais satélites geoestacionários, que orbitam a 35 mil quilômetros da superfície terrestre.

A Telcomp (Associação Brasileira da Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas) argumentou, em estudo apresentado nesta quarta-feira (13), que a cobrança de imposto prejudicaria pessoas com histórico de dificuldade de acesso à internet e negócios emergentes em IoT. O pleito tem apoio dos demais grupos de influência do setor.

Até o fim do ano, a instalação de antenas com até 2,4 metros de diâmetro requer o pagamento de uma taxa de fiscalização (TFI) de R$ 24,83. Sem a isenção, o valor deve subir para R$ 201.

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"Naturalmente, vai aumentar o preço para o usuário final. É um risco para a própria inclusão digital", afirma o engenheiro de telecomunicações Agostinho Linhares, coautor do relatório ao lado do ex-presidente da Anatel Leonardo Euler de Morais -ambos lideram a instituição privada de pesquisa IPE Digital.

De acordo com Linhares, quando o governo de Jair Bolsonaro (PL) reviu a cobrança da taxa em 2020, houve operadoras que descontaram a diferença de quase R$ 180 integralmente na fatura.

Para o presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Carlos Baigorri, presente no lançamento do estudo, a Telcomp comprovou que os benefícios fiscais foram uma política pública acertada. "Traz muito mais benefício de externalidade do que traria a receita tributária de que se abriu mão."

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"Precisamos atuar junto, enquanto setor de telecomunicação, para que esse incentivo funcione de maneira perpétua", acrescentou.

Já tramita na Câmara uma proposta do deputado David Soares (União-SP) para tornar o benefício para antenas permanente. Porém, representantes do próprio setor de telecomunicações avaliam que, por causa de restrições da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), o período de isenção deve ser alterado para indicar um limite de cinco anos.

Sem a prorrogação dos benefícios, dizem as telecoms, há uma situação de insegurança jurídica. Contratos já fechados que se estendem após o encerramento da isenção foram calculados considerando os preços sem pagamento da taxa.

De acordo com Linhares, deixar de cobrar o imposto seria uma questão de justiça tributária, uma vez que os serviços de conexão por fibra óptica e sinal de rede móvel não incluem a cobrança de TFI.

O engenheiro afirma que a maior parcela dos usuários de internet via satélite está em áreas suburbanas e rurais. "São as populações mais sensíveis a preços."

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Ainda de acordo com o estudo, o fim dos benefícios fiscais tornariam inviáveis a venda de 8 milhões de dispositivos de internet das coisas, usados sobretudo na indústria e no agronegócio. Isso porque os impostos tornariam o custo de produção maior do que o de venda.

No caso da internet das coisas, ainda há isenção para Taxa de Fiscalização de Funcionamento (TFF), da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP) e da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine).

"Esse é um motivo de preocupação para nós, para Conexis (representante das grandes operadoras) e outras associações parceiras e queremos sensibilizar os ministérios do Planejamento, da Fazenda, da Agricultura e o MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços]", afirmou o presidente da Telcomp, Luiz Henrique Barbosa.

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