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Economia

Taxas de juros curtas sobem com cautela e ceticismo sobre cessar-fogo entre EUA e Irã

Estadão Conteúdo 27/03/2026 18:23

A pouca visibilidade em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã para um acordo de cessar-fogo e novos ataques de Israel contra o país persa esfriaram o ânimo dos investidores no pregão desta sexta-feira, 27, que foi de oscilações mais contidas nos juros futuros.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As taxas operaram em alta durante toda a manhã e perderam fôlego no fim do período, quando o dólar renovou mínimas, também ajudadas, na ponta curta, pela firme queda do retorno dos Treasuries de dois anos. No início da tarde, os vértices de um e dois anos da curva local migraram para o terreno positivo, conforme agentes reduziam risco antes do final de semana, que pode ter nova escalada da guerra.

Em seguida, todos os vencimentos passaram a subir, ainda que com pouco ímpeto nos juros longos, em meio a notícias de que EUA e Israel atacaram a infraestrutura iraniana, apesar da prorrogação da pausa nas ofensivas até 6 de abril. Com o confronto e seu impacto sobre as cotações de petróleo dominando os negócios, indicadores domésticos novamente não conseguiram fazer preço na curva.

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No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 aumentou de 14,327% no ajuste anterior para 14,395%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 14,07% a 14,115%. A taxa do DI para janeiro de 2031 oscilou de 14,155% para 14,15%.

Diante das incertezas sobre o processo de negociação entre os dois países e do bloqueio que persiste no fluxo de navegação pelo Estreito de Ormuz, o barril do petróleo tipo Brent para junho segue acima de US$ 100 o barril, e fechou com alta de 3,4% nesta sexta-feira.

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"Os mercados estão respondendo a melhores perspectivas de um acordo de paz entre EUA e Irã, mas acreditamos que algum risco de mercado provavelmente persistirá", aponta o time de estrategistas do Citi. Em relatório, o banco informa que adotou posição neutra em câmbio e juros para todos os mercados da América Latina.

Segundo a instituição, mesmo em um cenário de potencial arrefecimento do conflito, os investidores ainda devem precificar algum grau de risco geopolítico, o que significa que o barril do petróleo tipo Brent não se estabilizará muito abaixo do nível de US$ 95 a US$ 100. "Isso, por sua vez, pode significar que os bancos centrais dos mercados emergentes teriam pouco ímpeto para serem muito agressivos em suas tentativas de aliviar a política monetária a partir daqui", afirmam os analistas.

Para Felipe Tavares, economista-chefe do BGC Liquidez, não houve uma grande notícia de peso que justificasse grande movimentação dos DIs. Mas a perspectiva de que o conflito não vai ser resolvido tão rapidamente se sobrepôs ao otimismo trazido em um primeiro momento pelas declarações positivas de Trump ao longo da semana, avalia ele.

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"Ainda há uma esperança sobre o cessar-fogo, mas ela diminuiu. E tem também o medo da sexta-feira", diz Tavares, levando em conta que o confronto pode piorar no fim de semana, o que justifica posições defensivas. O economista também relata que muitos players ainda estão zerando posições aplicadas (que apostam na queda das taxas), o que acentua a abertura da curva futura.

No cômputo semanal, apesar das oscilações diárias, as taxas terminaram praticamente no zero a zero, com nenhuma delas abaixo de 14%, enquanto o mercado precifica cada vez menos cortes para a Selic no ano. A curva apontava no final desta tarde taxa terminal de 14,3% para 2026. Para abril, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto estava em 41%, ante 30% de manutenção.

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