A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que a alta da taxa de juros foi o maior obstáculo enfrentado pela indústria da construção no 4º trimestre de 2024. De acordo com a Sondagem Indústria da Construção, a taxa foi mencionada por 34,1% dos empresários, um aumento significativo em relação aos 25,4% do trimestre anterior. Esse cenário levanta preocupações para o setor, especialmente com a proximidade da primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá os rumos da taxa Selic.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explicou que a construção é sensível à política monetária restritiva. "A taxa de juros afeta diretamente o lançamento de imóveis e a demanda, pois muitas pessoas dependem de financiamento para adquirir propriedades. Por isso, a elevação da Selic gera grande apreensão no setor", afirmou.
Além da taxa de juros, outros problemas também impactaram o setor no último trimestre, como a escassez de mão de obra qualificada (26,8%) e a elevada carga tributária (26,6%).
Acesso ao crédito, lucro e custos aumentam dificuldades
A pesquisa também apontou uma queda no acesso ao crédito, que fechou o 4º trimestre com 37,7 pontos, o que indica um aumento nas dificuldades para obtenção de empréstimos e financiamentos. Outro indicador negativo foi o índice de satisfação com o lucro operacional, que caiu de 45,4 para 44,8 pontos, refletindo uma maior insatisfação com os resultados financeiros.
Em relação aos custos, o preço médio de insumos e matérias-primas subiu 2,7 pontos, chegando a 64 pontos, indicando uma aceleração nos preços desses itens. No entanto, os empresários demonstraram estar menos insatisfeitos com as condições financeiras das empresas, com o índice subindo 1,3 ponto, atingindo 49 pontos.
Queda na confiança e recuo na atividade em dezembro
Em janeiro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção registrou 49,9 pontos, abaixo da linha divisória de 50, indicando falta de confiança pela primeira vez desde janeiro de 2023. O índice refletiu uma avaliação mais negativa das condições econômicas atuais e das expectativas para a economia e as empresas.
O nível de atividade também recuou no mês de dezembro, com o índice caindo para 45,4 pontos, refletindo uma desaceleração no setor. O número de empregados caiu de 47,8 para 45,7 pontos, o que indicou uma redução na quantidade de trabalhadores no setor da construção.
Expectativas para 2025 e os desafios à frente
Apesar da queda nos índices de confiança e de atividade, os empresários mantêm uma visão positiva para 2025. O índice de expectativa de nível de atividade se manteve em 53,8 pontos, enquanto as previsões para compras de insumos e número de empregados cresceram. A expectativa de novos empreendimentos e serviços, no entanto, apresentou uma leve queda, o que pode indicar uma desaceleração nos lançamentos para o próximo ano.
Porém, a intenção de investir caiu para 45,1 pontos em janeiro, o que representa uma queda de 0,8 ponto em relação a dezembro. Ainda assim, o índice permanece 7,2 pontos acima da média histórica, sinalizando que o setor continua otimista em relação a futuros investimentos, apesar dos desafios econômicos atuais.