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Tarifa dos EUA pode atingir um terço das exportações brasileiras

CNI estima que 31,6% dos produtos vendidos pelo Brasil ao mercado norte-americano podem ficar sujeitos a sobretaxa de 37,5%

Vitória News 16/06/2026 13:47
Tarifa dos EUA pode atingir um terço das exportações brasileiras
Foto: Wenderson Araujo/CNA

Cerca de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos pode ser atingido por uma tarifa adicional de 37,5%, caso a proposta em análise pelo governo norte-americano seja aprovada. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo a entidade, 31,6% dos produtos exportados pelo Brasil ao mercado dos Estados Unidos estão hoje sujeitos a uma tarifa adicional de 10%. Com as novas medidas, essa cobrança poderia subir para 37,5%, um aumento de 27,5 pontos percentuais.

Outros 3,6% das vendas brasileiras aos norte-americanos teriam a tarifa elevada de 10% para 12,5%. No total, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ficariam sujeitas às novas sobretaxas.

Quando consideradas também as medidas setoriais da Seção 232 da legislação norte-americana, já em vigor, a parcela das exportações brasileiras submetidas a algum tipo de tarifa adicional pode chegar a 54,1%.

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, afirma que a eventual adoção das medidas preocupa a indústria brasileira, principalmente pelo impacto sobre produtos de maior valor agregado.

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“Quedas nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, como já aconteceram diante desse cenário de aumentos de tarifas, preocupam não só a indústria, mas a economia e o Brasil como um todo. Os efeitos multiplicadores das exportações de alto valor agregado são importantíssimos para o país. Um cenário de aumento de tarifas significa perda de empregos de qualidade e de retornos econômicos importantes para o país”, explica.

As propostas decorrem de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Em uma das investigações, aberta especificamente contra o Brasil em julho de 2025, o USTR concluiu que práticas relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ou onerosas ao comércio dos Estados Unidos.

A partir dessa análise, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, no entanto, prevê exceções para 1.698 códigos tarifários, incluindo itens como café, suco de laranja e carne.

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Outra investigação, relacionada ao trabalho forçado, envolveu quase 90 países. O Brasil foi incluído entre as nações que, segundo o órgão norte-americano, não adotariam ou não aplicariam de forma efetiva restrições à importação de produtos fabricados nessas condições.

Nesse segundo caso, a proposta é aplicar uma tarifa adicional de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos tarifários. Quando as duas medidas atingem os mesmos produtos, a sobretaxa pode chegar a 37,5%.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que o tema seja tratado por meio de negociação técnica entre os dois países.

“A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo, baseado em critérios técnicos e na busca de soluções que preservem uma parceria econômica estratégica para ambos os países”, afirma.

Entre os produtos que podem ser atingidos pela tarifa de 37,5% está o ferro gusa não ligado, que atualmente paga sobretaxa de 10%. Em 2024, o item respondeu por US$ 1,5 bilhão em exportações brasileiras para os Estados Unidos.

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Também podem ser afetados açúcar de cana em forma sólida, sebo não comestível, álcool etílico não desnaturado e molduras de madeira de pinho.

Já entre os produtos sujeitos à tarifa adicional de 12,5% estão minério de ferro e concentrados em pelotas aglomeradas, lajes de quartzito, óleos essenciais de frutas cítricas de laranja, silício e pasta de madeira química para dissolução.

As medidas ainda não têm efeito imediato. Antes da decisão final, o USTR deve realizar consulta pública e audiências nos dias 6 e 7 de julho, com participação de empresas, entidades e governos.

Para a CNI, essa etapa será uma oportunidade para o Brasil apresentar dados e argumentos técnicos contra a aplicação das sobretaxas.

“A indústria entende que é momento de continuar e aumentar os esforços na negociação entre o Brasil e os Estados Unidos. Não só para continuar trazendo evidência de quão injustificadas essas medidas restritivas são, mas também para demonstrar os efeitos negativos e nocivos para ambos países em duas economias tão integradas e complementares”, afirma Constanza Negri.

Com informações da CNI, divulgadas pelo Br61

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