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Suspeita de contaminação faz Índia testar curry e temperos

FolhaPress 02/05/2024 10:43

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo da Índia determinou nesta quinta (2) a inspeção de todas as marcas de misturas de especiarias em pó para uso culinário, como o curry. O motivo é a suspeita de contaminação por um produto químico que pode causar câncer em seres humanos.

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Os indianos são os maiores produtores, consumidores e exportadores mundiais desse tipo de tempero, apreciado há séculos —a própria globalização é um subproduto da era das navegações iniciada no século 15, quando potências europeias disputavam rotas comerciais de especiarias.

A investigação foi determinada depois que Hong Kong suspendeu no mês passado as vendas de três misturas de temperos da empresa MDH e do curry para peixes da Everest, a mais popular marca indiana, que também foi banida temporariamente em Singapura.

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Os dois países apontaram níveis inaceitáveis de óxido de etileno nos temperos. O produto é um potente desinfetante, usado em esterilização hospitalar, e é usado ilegalmente para matar fungos e insetos que podem ser encontrados em produtos prontos como as misturas de especiarias.

A exposição prolongada ao composto é associada a risco cancerígeno e mutagênico aumentado. Seu uso é proibido na Índia e em outros países, e as empresas disseram à imprensa local que seu produtos são seguros.

"Todos os produtos serão analisados", afirmou em nota a Autoridade de Segurança e Padrões de Alimentos da Índia, o órgão regulador do setor. Só o mercado doméstico movimenta mais de US$ 10 bilhões (R$ 50 bilhões) por ano, segundo um estudo da Zion Market Research citado pela agência Reuters.

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Já as exportações, segundo o governo indiano, somaram US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) de 2022 a 2023. Analistas de mercado do país temem que metade disso possa ser afetado por um efeito cascata de suspensão de vendas por outros países —particularmente a China.

As especiarias são intrinsecamente ligadas à imagem da Índia. O curry, nome genérico para dezenas de combinações diferentes com fins culinários específicos, é sinônimo de comida do país no mundo todo, e parte do cotidiano da nação mais populosa do planeta.

A inspeção das marcas industriais poderá ser eficaz, mas certamente ficarão de fora as milhares de opções que os moradores do país encontram em qualquer esquina, a maior parte das vezes em sacos com produtos a granel.

Na capital indiana, Nova Déli, o maior mercado de especiarias do país impressiona não só pelo assalto sensorial a que os visitantes são expostos, mas também às condições gerais de higiene. Há estabelecimentos bem reputados que vendem o produto ensacado meticulosamente e rotulado, com selos de inspeção, mas o grosso é vendido na rua.

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Eles ficam armazenados em antigos prédios coloniais britânicos no centro velho da cidade, ao longo das vielas do mercado, onde trabalhadores moram em condições precárias entre sacos de pimentas e sementes variadas.

Há muita umidade e calor nesses locais, o que favorece práticas ilegais para evitar que fungos se proliferem nos estoques, como o emprego do óxido de etileno.

As misturas de especiarias são muito apreciadas por turistas. Em um dos centros mais reputados do país por seus temperos, Jodhpur (no Rajastão, noroeste indiano), a popular loja Maharani está sempre lotada de estrangeiros atrás de seus curries —vendidos ao equivalente a R$ 12 por uma embalagem com 150 gramas.

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