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Soja e carne bovina impulsionam agro, que cresce 2,8% no segundo trimestre

Setor avançou bem acima do PIB brasileiro, impulsionado pela soja, pelo café e pelo aumento do abate de bovinos

Vitória News 02/09/2026 08:25
Soja e carne bovina impulsionam agro, que cresce 2,8% no segundo trimestre
Imagem gerada por IA/VN

A agropecuária voltou a assumir papel de destaque na economia brasileira no segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, o setor cresceu 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano, desempenho bem superior ao avanço de 0,5% registrado pelo Produto Interno Bruto brasileiro no mesmo período.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a diferença é ainda maior. A agropecuária avançou 6,8%, enquanto a economia brasileira cresceu 2%.

Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que soja, café e pecuária tiveram participação relevante no desempenho do campo.

No primeiro semestre, o PIB da agropecuária acumula crescimento de 3,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando os quatro trimestres encerrados em junho, a expansão chega a 6,2%.

Soja ajuda a puxar resultado

Entre as lavouras com peso importante no segundo trimestre, a soja apresentou crescimento de 5,3% na estimativa de produção anual, acompanhado de ganhos de produtividade.

A oleaginosa possui peso elevado na estrutura da produção agrícola brasileira e, por isso, mesmo variações percentuais menores que as observadas em outras culturas têm capacidade significativa de influenciar o resultado do setor.

O café também se destacou. A estimativa utilizada pelo IBGE aponta crescimento de 15,1% na produção.

SESC PICASSO

Na direção contrária, o arroz registrou queda de 11,3% e o algodão recuou 6,7%. A produção de milho permaneceu praticamente estável na comparação utilizada para o cálculo.

Pecuária ganha força

A pecuária foi outro componente importante do crescimento.

Dados preliminares do IBGE mostram que 10,72 milhões de bovinos foram abatidos no país durante o segundo trimestre sob algum tipo de inspeção sanitária.

O número representa crescimento de 4,2% em relação aos primeiros três meses de 2026 e de 1,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O avanço foi ainda maior quando considerado o volume produzido.

As carcaças bovinas totalizaram aproximadamente 2,76 milhões de toneladas entre abril e junho, alta de 4,7% frente ao primeiro trimestre e de 3% na comparação anual.

Os números indicam que, além do aumento do número de animais abatidos, houve crescimento da quantidade de carne produzida.

China entra na equação

Parte da aceleração da pecuária no primeiro semestre pode estar relacionada ao mercado chinês.

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Especialistas do setor avaliam que frigoríficos anteciparam abates e embarques para aproveitar a forte demanda da China e evitar que parte das exportações ultrapassasse a cota estabelecida pelo governo chinês para 2026.

Para o Brasil, a cota foi definida em 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse limite, a tarifa de importação chinesa é de 12%. O volume que exceder a cota fica sujeito a uma tarifa de 55%.

Em julho, o Ministério da Agricultura informou que aproximadamente 80% da cota brasileira já havia sido utilizada.

O ritmo elevado ajuda a explicar a corrida dos exportadores durante o primeiro semestre, mas também cria uma dúvida para os próximos meses.

Efeito pode perder força no segundo semestre

Caso uma parcela dos animais que normalmente seria abatida na segunda metade do ano tenha efetivamente sido antecipada, parte do crescimento observado agora poderá ser compensada por menor disponibilidade de gado para abate posteriormente.

Essa é uma das razões pelas quais economistas do setor consideram que o resultado excepcional da pecuária no segundo trimestre não deve ser automaticamente projetado para o restante de 2026.

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O comportamento da demanda chinesa, a utilização da cota de importação, a abertura de outros mercados e os preços do boi gordo serão determinantes para o desempenho da cadeia.

Agro cresce enquanto economia perde ritmo

A força do campo ganhou ainda mais destaque porque outros setores tiveram desempenho modesto no segundo trimestre.

Enquanto a agropecuária avançou 2,8%, os serviços cresceram apenas 0,2% e a indústria, 0,1%.

O consumo das famílias recuou 0,4%, refletindo um ambiente de juros elevados e crédito mais restritivo.

O resultado mostra que, mesmo representando uma parcela menor do PIB do que serviços e indústria, a agropecuária teve papel importante para evitar uma desaceleração ainda maior da economia brasileira entre abril e junho.

Além da soja e dos bovinos, o desempenho do café merece atenção especial. Com crescimento estimado de 15,1% na produção, a cultura aparece entre os principais vetores positivos do período — dado particularmente relevante para estados produtores como o Espírito Santo.

Fonte: IBGE e Ministério da Agricultura e Pecuária, com análise complementar de dados do mercado agropecuário.

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