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Economia

Senado vota PL do mercado de carbono sem obrigações para o agro

FolhaPress 05/11/2024 14:55

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Senado aprovou nesta terça-feira (5) a urgência do projeto de lei que institui o mercado de carbono, mas deixa o agronegócio de fora das obrigações. O texto foi negociado entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e parlamentares nos últimos dias.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O texto funcionaria como um cartão de visitas do governo na 29ª Cúpula das Nações Unidas para o Clima (COP 29), que começa em menos de uma semana, mas não prevê cortes nem mensurações de emissões no setor que é um dos principais geradores de gases de efeito estufa do país. A agropecuária participará apenas de forma voluntária.

A agronegócio é o segundo maior responsável pelos gases de efeito estufa no Brasil, com 27% do total, de acordo com dados do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa) do Observatório do Clima. O setor só perde para o chamado uso da terra, que inclui o desmatamento, com 48%.

SESC PICASSO

Do total do agro, 64% é emitido pela chamada fermentação entérica -as emissões de metano no projeto digestivo dos animais ruminantes (bovinos, ovinos, caprinos e etc). Outros 29% vêm do incremento de nitrogênio via uso de insumos e operações de manejo de solo agrícola.

Mário Lewandowski, sócio e diretor de novos negócios da AGBI Real Assets, afirma que deixar o agro de fora será um erro. Primeiro pelo dano reputacional. E segundo pelo que ele vê como perda de oportunidade, pois entende que o produtor rural teria muito a ganhar.

"Você está deixando dinheiro na mesa. Se você não vai ser obrigado a fazer essa mensuração [do carbono no campo], é pouco provável que os fazendeiros queiram fazer. Porque você tem um dispêndio de dinheiro e o retorno vem ao longo de 15 anos", disse. "O grande potencial do Brasil de geração de carbono está nas áreas rurais, não nas cidades."

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De acordo com os envolvidos nas discussões, a intenção com as conversas neste mês era alinhar o texto entre Câmara e Senado e acelerar a tramitação para o governo mostrá-lo na COP 29.

O evento vai começar na próxima semana em Baku, no Azerbaijão, e vai até o dia 22 de novembro. O Brasil está sendo monitorado de perto pela comunidade internacional por ser visto como um dos protagonistas no debate ambiental.

Apesar do adiamento, solicitado sobretudo pela bancada ligada ao agronegócio -que demandava uma votação presencial, e não semipresencial, como a desta terça-, representantes do governo dizem que não há frustração, já que a votação está prevista para a semana que vem. A proposta ainda precisa passar pela Câmara, mas a promessa é de uma tramitação rápida.

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"Havendo a concordância da relator, da liderança do governo, da oposição e das demais lideranças partidárias de que podemos fazer o encaminhamento de acordo no plenário do Senado [...] na próxima terça no sistema presencial, [faremos] com o compromisso de todos que não haverá obstrução", disse Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado.

O senador Marcos Rogério (PL-RO) afirmou que o tema é sensível e que há aspectos positivos e negativos no texto. "Votar a matéria hoje apenas como gesto simbólico a esse evento não é a melhor resposta que o Senado faz ao país", disse.

A senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora do projeto, afirmou que o texto não deve ser aprovado a tempo da COP 29, mas que não se sente com "a faca no pescoço" por causa do evento. "O compromisso está firmado, como relatora, e o que resta é acatar [os acordos]", disse.

Apesar de ser propagado com entusiasmo pelo governo brasileiro, o mercado de carbono também é visto com ceticismo por parte dos ambientalistas que questionam a eficácia do mecanismo para o enfrentamento das mudanças climáticas.

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