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Senado aprova PL que cria mercado de carbono, e Fazenda estima PIB 5,8% maior até 2040

FolhaPress 13/11/2024 18:56

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Senado aprovou nesta quarta-feira (13) o texto-base do projeto de lei que cria o mercado de carbono e autoriza a União a estabelecer limites para a emissão de gases de efeito estufa no país. O objetivo é obrigar empresas que poluírem acima de determinado patamar a pagar por isso, incentivando uma virada sustentável na economia.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O projeto ganhou prioridade nas últimas semanas para o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vê potencial de ganhos para o PIB (Produto Interno Bruto) e tentou acelerar a tramitação enviando ministros para negociar com parlamentares. O Executivo planeja apresentar o texto à comunidade internacional na 29ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP 29), que começou nesta semana em Baku (no Azerbaijão) e vai até o dia 22 de novembro.

A previsão do Ministério da Fazenda é que o mercado esteja funcionando plenamente em 2030 e que, desse ano até 2040, o PIB brasileiro seja impulsionado em 5,8% no período acumulado. Para 2050, a projeção é de 8,5% no tempo agregado.

A pasta afirma que o mercado de carbono no Brasil tem potencial para cortar 100 milhões de toneladas anuais de emissões de CO2 equivalente em 2040, de acordo com dados do Banco Mundial. Em 2050, o número subiria para 130 milhões.

O projeto ainda precisa ser votado pela Câmara dos Deputados, mas a previsão do governo é que a tramitação seja acelerada. Depois disso, ainda será necessária uma regulamentação detalhada por parte do Poder Executivo.

SESC PICASSO

O texto aprovado cria regras para o mercado, a ser chamado de Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), e será aplicado a atividades que produzem anualmente acima de 10 mil tCO2e (toneladas de dióxido de carbono equivalente). Quem não estiver obrigado a participar da comercialização, como a agricultura, pode participar de forma voluntária.

Será de competência exclusiva da União o estabelecimento dos tetos de emissão, que serão aplicados à soma das atividades produtivas e fontes reguladas pelo SBCE; e, a partir disso, individualmente (de cada empresa, por exemplo). Os números estarão no Plano Nacional de Alocação, de responsabilidade de um comitê interministerial.

Mesmo com a negociação do governo, a tramitação atrasou porque a bancada ruralista expressou sucessivas preocupações sobre os efeitos para a agropecuária. Havia sido manifestado, por exemplo, o temor de que o projeto trouxesse limitações e impedimentos ao direito da propriedade e ao uso da terra.

Para destravar a votação, a relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), acabou acatando uma série de sugestões da oposição para destravar a votação. Entre elas, parte de uma emenda do senador Rogério Marinho (PL-RN) que prevê que novas normas para o mercado necessitem de consulta prévia à Câmara de Assuntos Regulatórios (a ser composta por entidades de representação dos setores alvo da legislação).

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"Projetos não são perfeitos, mas certamente houve aqui uma vontade enorme de todos que contribuíram de dar o seu melhor. Vamos colocar o trem nos trilhos porque o Brasil está patinando há anos nesse tema. E a partir daí vamos regulamentar e fazer um debate com os outros setores que têm interesse em estar conosco nessa caminhada", afirmou Barros.

O senador Marcos Rogério (PL-RO) elogiou a relatora por ter, segundo ele, dado a oportunidade das mudanças. "No final, conseguimos avançar para um texto que, se não na sua integralidade [...], nos pontos mais sensíveis conseguimos avançar para um texto de consenso", disse.

Alexandre Prado, líder em mudanças climáticas do WWF Brasil, diz que o projeto não é bom por, entre outros pontos, não dar tanto espaço para a sociedade civil nos órgãos de acompanhamento do tema e por excluir a agricultura das obrigações. O texto não prevê cortes nem mensurações de emissões no setor que é o segundo maior gerador de gases de efeito estufa no país e que participará do mercado apenas de forma voluntária.

Além disso, ele diz que a redação está confusa, complexa e difícil de ser explicada aos estrangeiros. "É um projeto de lei que deveria ser simples. Não está bom. Tem muito buraco, muita falha e é muito complexo", diz.

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Mesmo assim, ele acha que o texto é o possível de ser aprovado e dá as bases para os trabalhos avançarem no mercado. "É o que teve. É o PL que foi possível dentro da negociação política que a gente fez no nosso país. Com isso, a gente começa a trabalhar, e o mais importante é que a gente vai aprender com os nossos erros".

O agro, que ficou de fora das obrigações, é responsável por 27% do total de emissões brasileiras, de acordo com dados do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa) do Observatório do Clima. O setor só perde para o chamado uso da terra, que inclui o desmatamento, com 48%.

Plínio Ribeiro, líder da Dercabon (empresa do grupo Ambipar que trabalha com o mercado de carbono), diz que em outros países a agricultura também acaba ficando de fora da regulamentação por se tratar de um setor de difícil mensuração. "Olhando para as experiências internacionais, é assim que funciona", afirma.

Ele alerta para o momento da regulamentação, quando serão definidos os limites setoriais de emissão. "Esse ponto é o mais suscetível a lobby. A sociedade civil tem que ficar muito atenta para que esses números sejam factíveis mas também não fiquem muito elevados e não se tire o incentivo para a redução", diz.

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