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Economia

Sem preocupação com tarifaço, Electrolux inaugura fábrica 100% sustentável no Paraná

FolhaPress 22/08/2025 18:05

SÃO JOSÉ DOS PINHAIS, PR (FOLHAPRESS) - Com 70% dos fornecedores de origem brasileira, a Electrolux, multinacional de eletrodomésticos, não vê o tarifaço de Donald Trump como ameaça à empresa na América Latina. O efeito deverá ser o aumento da concorrência.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"As empresas que geralmente exportam para os Estados Unidos vão em busca de outros mercados, como o do Brasil e o restante da América Latina. A concorrência será maior", afirma Leandro Jasiocha, CEO da empresa para a América Latina.

A Electrolux inaugurou nesta sexta-feira (22) sua nova fábrica no Brasil. Nos primeiros meses, o complexo industrial em São José dos Pinhais (15 km de Curitiba) vai produzir ventiladores e liquidificadores.

A projeção da empresa é que em dois anos, quando atingir a capacidade máxima, serão fabricados cinco milhões de produtos por ano, o que representaria 25% do faturamento de eletroportáteis da empresa no Brasil. Atualmente, a companhia vende cerca de 15 milhões de produtos por ano no país.

O investimento na obra foi de R$ 700 milhões e é o maior da companhia na América Latina. Ela já tinha outra fábrica no Paraná. Serão 2.000 empregos gerados, 500 deles de forma direta.

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A Electrolux brasileira não exporta para os Estados Unidos, nação que impôs 50% de tarifa de importação ao Brasil. O conglomerado já tem uma marca própria no país, a Frigidaire.

"O impacto direto é pequeno. Nós exportamos para Porto Rico, por exemplo, que segue as normas dos Estados Unidos. Mas é um mercado pequeno. O que vamos fabricar aqui [na nova planta] é voltado para o público brasileiro", completa o CEO.

Além de incentivos fiscais recebidos por meio do programa Paraná Competitivo do governo do estado (parcelamento ou diferimento do ICMS em energia e gás, crédito presumido em operações de ecommerce e de importação e utilizar ICMS para pagar bens de ativo imobilizado), a prefeitura cedeu o terreno e a terraplanagem.

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A área construída é de 50 mil metros quadrados, mas o espaço total é de 138 mil metros quadrados. Embora comece a produção imediatamente, as obras vão continuar.

Expandir a produção faz sentido logístico. Toda a importação de componentes usados pela Electrolux no Brasil chega pelo porto de Paranaguá, a 83 km de São José dos Pinhais.

A América Latina representa, segundo Jasiocha, 25% do faturamento da Electrolux. A estimativa é que este número tenha sido cerca de US$ 3,5 bilhões no ano passado. Desta porcentagem, 60% vêm do Brasil (cerca de US$ 2,1 bilhões).

Na cerimônia, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), lembrou que outras empresas de eletrodomésticas estão se expandindo no estado. A LG Electronics tem obras para uma fábrica no município de Fazenda do Rio Grande.

"Nós queremos concorrência", respondeu o CEO.

O cartão de visitas da Electrolux na inauguração foi ser a primeira planta do grupo 100% sustentável. Ela pretende, globalmente, zerar as emissões de carbono até 2033. Segundo a companhia, 100% da energia consumida na nova fábrica em São José dos Pinhais será proveniente de fontes renováveis. Os veículos utilizados na operação, mesmo empilhadeiras, serão elétricos.

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Uma nova tecnologia, desenvolvida pelo time de engenheiros da empresa de origem sueca, vai reduzir a emissão de carbono da solda. A economia da água potável, diz a Electrolux, será de 83% e a redução de consumo será de 2,6 milhões de litros por ano.

A promessa é de não enviar, desde o primeiro dia de operação, nada para aterros sanitários. A multinacional afirma que serão plantadas 3.000 mudas de árvores no terreno.

Idealizada em 2023, a fábrica foi inaugurada agora para coincidir com o aniversário de 100 anos da empresa no Brasil. Apesar do calor de 30 graus nesta sexta em São José dos Pinhais, os armazéns estão climatizados para uma temperatura entre 23 e 24 graus e sem o uso de ar-condicionado. Isso é feito graças ao sistema de venezianas, que controlam o ambiente, afirma a companhia.

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