Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026 | 08h24m
Vitória News — Um jornal de verdade
Economia

Seca no Norte pode elevar em até 150% custo do transporte de contêineres

Redução do nível dos rios limita a capacidade das embarcações e ameaça encarecer o escoamento de cargas na região.

Estadão Conteúdo 18/09/2026 07:33
Seca no Norte pode elevar em até 150% custo do transporte de contêineres
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A seca causada pelos impactos do El Niño na região Norte do Brasil pode elevar o custo do transporte de contêineres para Manaus em até 150%, segundo estudo realizado pela A&M Infra, da Alvarez & Marsal, para a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em um cenário de restrição de dois metros no calado, a capacidade é reduzida em 35% e o custo unitário aumenta 63%, mostra o material. Num cenário ainda mais severo, com redução de 3,2 metros no calado disponível para os navios, a capacidade de transporte cai 55%.

"O efeito ocorre porque, mesmo transportando menos carga devido às limitações de calado, grande parte dos custos da viagem permanece. Além disso, a estiagem provoca atrasos, omissões de escalas, armazenagem adicional e pode exigir soluções logísticas alternativas", afirma o estudo.

A expectativa se baseia no cenário da seca que afetou a região em 2023 e 2024. Em outubro de 2023, a baixa profundidade chegou a inviabilizar a passagem de navios por semanas e a movimentação de contêineres em Manaus caiu 85% em relação a agosto daquele ano, mês de pico. Em 2024, mesmo com a utilização de píeres flutuantes em Itacoatiara para evitar uma nova paralisação, a movimentação caiu 55% em outubro e 41% em novembro, na comparação com julho.

SESC PICASSO

A consultoria alerta para o fato de Manaus ter poucas alternativas logística e ficar "à mercê" das hidrovias, que caminham para situação ainda mais severa de estiagem em 2027 por causa do El Niño.

O estudo também analisa a sobretaxa de seca, utilizada para compensar os custos extraordinários da operação em períodos de baixa navegabilidade e contribuir para a continuidade do serviço. Mecanismos semelhantes são adotados em rotas sujeitas a restrições hídricas no Rio Reno, no Canadá e no Canal do Panamá.

CONTADOR - BONUS

Sobre a questão, o diretor-executivo da Abac, Luis Resano, afirma ser necessário "atacar" a origem do problema e não "apenas adotar medidas paliativas".

"Mesmo com a adoção de medidas paliativas para manter as operações, há aumento relevante dos custos e impactos sobre a eficiência logística. Ele é fundamental para manter a operação sustentável ... A concessão das hidrovias pode ser um caminho importante para garantir maior previsibilidade e eficiência na execução das dragagens, evitando atrasos ou intervenções realizadas fora do momento adequado", afirma Resano em nota enviada ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Compartilhe esta notícia
Anuncio - Raimundo - Bonus

Notícias Relacionadas