Carne bovina concentra 90% das vendas goianas de produtos de origem animal ao bloco, enquanto exportadores buscam mercados alternativos
A suspensão das exportações brasileiras de produtos de origem animal para a União Europeia pode provocar perdas de até US$ 16,8 milhões por mês para Goiás, segundo análise da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).
A medida está em vigor desde 3 de setembro e atinge produtos como carnes bovina, suína e de aves, peixes de cultivo, mel, ovos, equinos e envoltórios utilizados pela indústria.
Em 2025, Goiás exportou US$ 190 milhões em produtos de origem animal para o mercado europeu. Desse total, US$ 171 milhões corresponderam às vendas de carne bovina, equivalente a cerca de 90% do segmento.
Entre janeiro e julho de 2026, as exportações goianas desses produtos para a União Europeia somaram US$ 96 milhões, queda de aproximadamente 14% em relação ao mesmo período do ano passado.
Frigoríficos podem sentir maior impacto
Entre as unidades mais expostas à restrição estão plantas da JBS, em Mozarlândia, e da Minerva Foods, em Palmeiras de Goiás.
Segundo a Fieg, as duas unidades trabalham com produtos destinados ao mercado europeu de maior valor agregado, o que aumenta a dificuldade de substituir imediatamente esses compradores por outros destinos.
A União Europeia é considerada um mercado importante justamente por absorver cortes de maior valor, o que torna o redirecionamento da produção mais complexo.
Restrição envolve uso de antimicrobianos
A decisão europeia está relacionada às novas exigências sobre o uso de determinados antimicrobianos na produção animal.
O bloco passou a exigir comprovação de que as regras são cumpridas durante todo o ciclo produtivo, desde a criação dos animais até o abate e a certificação do produto destinado à exportação.
Segundo a avaliação apresentada pela Fieg, a suspensão não decorre da identificação de contaminação da carne brasileira, mas da necessidade de demonstrar documentalmente o cumprimento das exigências europeias.
O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou a Portaria SDA nº 1.617/2026, que proíbe o uso de antimicrobianos como aditivos melhoradores de desempenho animal e estabelece novos procedimentos de controle para certificação.
Carne bovina pode levar mais tempo para voltar
A expectativa do setor é de que a situação da carne de frango possa avançar mais rapidamente, após a conclusão das avaliações realizadas pelas autoridades europeias.
No caso da carne bovina, porém, a adequação pode levar mais tempo devido ao próprio ciclo produtivo dos animais.
Como um bovino pode permanecer entre 24 e 36 meses no sistema de produção antes do abate, será necessário comprovar que as novas exigências foram atendidas durante todo esse período.
Por isso, a Fieg considera que as restrições à carne bovina podem se prolongar até que o Brasil consiga demonstrar integralmente o cumprimento dos protocolos exigidos.
Busca por novos mercados
Diante da suspensão, a entidade recomenda que os exportadores ampliem a diversificação dos destinos da produção.
China e Estados Unidos aparecem entre os principais mercados capazes de absorver parte das vendas, enquanto Japão, Indonésia e Coreia do Sul também são apontados como alternativas.
A China já é a principal compradora da carne bovina brasileira, enquanto os Estados Unidos vêm ampliando as importações do produto.
Para a Fieg, a diversificação pode reduzir os efeitos da restrição europeia e diminuir a dependência de mercados específicos.
A entidade também recomenda que empresas reforcem os sistemas de rastreabilidade, adequem processos produtivos e de certificação e planejem as operações com antecedência para atender às exigências do mercado europeu.
Fonte: Fieg, Ministério da Agricultura e Pecuária e Br61.